Criando o Azulão

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Criando o Azulão

Mensagem por Reryson Colares em Qui Abr 11, 2013 6:22 pm

A criação de "AZULÃO", compreende as três formas diversas ocorrentes no Brasil. A classificação de Sybley, cita quatro subespécies: Cyanocompsa cyanoides, C. brissonii, C. parellina e C. glaucocaerulea. Eles existem em quase todos os países da América.
Consideramos como o C.brissonii, o existente de Goiás em direção ao Sul do Brasil até a Argentina, 16 a 17 cm - mais longilíneo, o macho adulto possui penas azul escuro e fêmea de penas marrom cor de terra; o C.cyanoides o do Nordeste brasileiro até a América Central, 16,5 a 17,5 cm - mais corpulento, o macho adulto possui penas azul claro e a cabeça bem esbranquiçada; a fêmea de penas marrom claro; o C. glaucocaerulea, é o Azulinho, menorzinho de 13 a 14 cm, e população bem mais restrita, ocorre no Sul do Brasil de Santa Catarina até a Argentina. O C. parrellina existe na América Central e não no Brasil.
Procriam na natureza, do início da primavera até o início do outono, ou seja; de setembro a março. A partir desta época, param de cantar, fazem a muda anual e juntam-se em bandos, os adultos e os jovens. Este procedimento os ajuda na tarefa de alimentação nos meses de escassez. Seu ambiente natural preferido são as grotas, os brejos, as bordas de matas e as florestas ralas, sempre por perto de muita água. A verdade é que eles não são exigentes com o habitat, adaptam-se bem em variados tipos de locais.
Quando no processo de reprodução, torna-se um pássaro extremamente territorialista, cada casal demarca a sua área e não permite a presença de outros adultos da mesma espécie; o macho canta intermitentemente a todo volume para delimitar o seu espaço. O Azulão, além de ser um pássaro belíssimo, é também muito apreciado pelo seu canto maravilhoso. De modo recente, tem despertado interesse para a criação doméstica. Daí, como se faz com os outros passeriformes é preciso a intensificação da reprodução para suprir a demanda.
As Portarias do IBAMA, a 118 (para profissionais) e a 057 (para hobistas), estabelecem condições para a procriação. Ele procria com muita facilidade, é de fácil manejo, muito dócil e manso; dos passeriformes, é o mais manso de todos, muitas vezes, aceita ser pego pela mão de determinada pessoa e não demonstra nenhum medo. Dificilmente suas unhas crescem.
Na natureza, a alimentação é muito variada, consomem semente de capim de preferência, ainda verde; pequenas frutas e todo tipo de insetos, o bico é forte, mas apreciam muito as comidas macias. Seu canto é muito mavioso e pode ser dividido em dois tipos:
a) o canto normal - compõe-se de uma frase de cerca de 10 notas repetindo um som tipo "tifliu” - em variados tons, este é o canto usual e corriqueiro; são inúmeros dialetos, cada região tem um, ou mais longo ou mais melodioso que o outro;
b) a surdina, mata-virgem ou alvorada que querem dizer a mesma coisa - neste caso ele chega a cantar certa de 2 minutos sem parar repetindo um módulo de mais ou menos 6 notas - ti-é-té-é-tuéé, como exemplo. A surdina é, sem dúvida, um dos sons mais bonitos que se pode ouvir de um pássaro cantando.
Vive, se bem tratado em ambientes domésticos por volta de 20 anos. A alimentação básica de grãos deve ser: alpiste 50%, painço 20%, aveia 10%, arroz em casca 10% e niger 10%. Dois dias por semana administrar polivitamínico tipo Orosol®, Rovisol® ou Protovit®, este à base de 2 gotas para 50ml dágua. Não recomendamos a utilização de verduras de espécie alguma, provoca diarréia e o Azulão é muito susceptível a este mal.
Para suprir suas necessidades nutricionais o mais importante é fazer a farinhada e ali se ministrar grande parte dos ingredientes necessários à saúde da ave. Pode ser elaborada da seguinte forma: 5 partes de milharina, 1 parte de germe de trigo; 1 parte de farelo de proteína de soja texturizada; 4 colheres de sopa de suplemento F1 da Nutrivet para um quilo; 1 gr de Mold-Zap para um quilo da mistura; 1 gr. de sal por 1 quilo da mistura; 2 gr. de Mycosorb por quilo, e 2 gr de Lactosac (probiótico). Após tudo isso estar bem misturado, coloque na hora de servir, duas colheres de sopa cheias dessa farinhada uma colher de sopa cheia de Aminosol. Importante também, ferver durante 20 minutos os grãos alpiste, painço, arroz em casca, lavar bem e misturar à farinhada.
Quando houver filhotes no ninho adicione o ovo cozido. Outra mistura importante deve ser feita com farinha de ostra 20%, Aminopan 30% e areia 50%. É preciso, também ministrar inseto vivo, tipo larvas de tenébrio, à base de 5 de manhã e 5 à tarde, por filhote. Em suma, o Azulão consome quase de tudo, é muito fácil alimentá-lo adequadamente.
Os grandes problemas deles são: a diarréia inespecífica e a muda encruada decorrentes, quase sempre da alimentação inadequada, é só corrigir, conforme discriminado acima. Além disso, são muito propensos a serem afligidos por ácaros especialmente de penas, utilize Permozim para combater. O local apropriado deve ser o mais claro possível, arejado e sem correntes de vento. A temperatura deve ficar na faixa de 20 a 30 graus e a umidade na faixa de 40 a 60%.
Pode-se criá-los em viveiros, grandes ou pequenos, todavia não o aconselhamos. Em viveiro, o manejo é difícil e o controle do ambiente impossível, ali os filhotes costumam cair do ninho e morrem. Para quem optar por utilizar gaiolas - que têm a relação custo/benefício menor - elas devem ser de puro arame, com medida de 60cm comprimento x 40cm largura x 35 cm altura, com quatro portas na frente, comedouros pelo lado de fora para dentro da gaiola, e com um passador lateral. A do macho pode ser a metade disso. No fundo, ou bandeja da gaiola, colocar grade que terá que ser lavada e desinfetada uma vez por semana, no mínimo. Utilizar ninhos, de preferência de bucha, de diâmetro 7 cm e 5 cm de profundidade no centro. Pendurar bastante raiz de capim e pedaços de corda de sisal para estimular a fêmea.
Sabe-se que uma fêmea está pronta quando ela começa a voar muito, a arrancar papel do fundo, carregar capim no bico e levá-lo para o ninho. No manuseio do macho, o melhor é colocá-lo para galar e imediatamente afastá-lo para outra gaiola, assim pode-se utilizar um macho para até 6 fêmeas. Elas podem ficar bem próximas umas das outras em prateleiras, separadas por uma divisão de tábua ou plástico, mas não podem se ver, de forma alguma. Senão, matam os filhotes ou interrompem o processo do choco, se isto acontecer. O número de ovos de cada postura é quase sempre 2, às vezes 3.
O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea deitar e sai do ninho aos dezesseis dias de idade podendo ser separado da mãe com 35 dias. Importante a administração de Energette®, através de uma seringa graduada, no bico dos filhotes enquanto eles estão no ninho para ajudar a fêmea no tratamento. Podem-se trocar os ovos e os filhotes de mãe quando estão no ninho. As anilhas serão colocadas do 7º ao 10º dia de vida, com diâmetro de 3,0 mm - bitola 4. Cada fêmea choca 4 vezes por ano, podendo tirar até 8 filhotes por temporada. Quase todas as Azulonas são excelentes mães, cuidam muito bem dos filhotes. Fundamental, porém, é que se tenha todo o cuidado com a higiene. Lembremos que os fungos, a coccidiose e as bactérias são os maiores inimigos da criação, e têm as suas ocorrências inversamente relacionadas com a higiene dispensada ao criadouro. Armazenar os alimentos fora da umidade e não levar aves estranhas para o criadouro antes de se fazer a quarentena, são cuidados indispensáveis.
Como recado final, confiamos que todos aqueles criadores que apreciam este maravilhoso pássaro passem efetivamente a se preocupar com a reprodução deles e que com o respectivo aprimoramento genético buscando conseguir exemplares de alta qualidade e que assim se possa combater o tráfico ilegal, como também o respeito da sociedade pelo real trabalho de preservação executado.

Azulão: Temperamento
Dentre os pássaros nativos criados em ambiente doméstico no Brasil, o Azulão se destaca, não somente pelo seu canto, sua coloração exuberante, de brilho intenso, sua postura esbelta e imponente, mas também pelo seu temperamento. É um pássaro manso por natureza, permanece tranqüilo com a aproximação humana. Podemos dizer que, se forem manejados corretamente, com o passar do tempo se aproximam cada vez mais de quem os manuseia. Com o uso de alguns artifícios, como o oferecimento de alguma guloseima, as tenébrias, por exemplo, vamos conquistando a confiança deles aos poucos, e, em algumas semanas, já observamos resultados expressivos. Em pouco tempo quase todos passam a pegar as larvas das mãos de quem os trata. Essa afinidade pode ir aumento, além de pegar comida na mão, eles podem “empuleirar” sobre os dedos, ser manuseados sem ressentimentos, e em alguns casos passam até a sair da sua gaiola.
A docilidade do Azulão também pode ser visto nas fêmeas. Interessante também o comportamento de um casal durante o período de cortejamento. O macho trata da sua fêmea no bico com freqüência. Se o casal for mantido junto durante o período de incubação dos ovos, também é comum ver o macho alimentando a fêmea no ninho.
Quem tiver a oportunidade de poder conviver com um Azulão, que o faça de maneira carinhosa e delicada. Deixe-o num lugar movimentado, perto das pessoas, ele fará parte da família. Logo terá muito mais do que um lindo pássaro de canto terá um verdadeiro companheiro.

Azulão: Como evitar problemas de penas
De início, temos de frisar que as diferentes espécies de aves nativas do Brasil divergem muito quanto a sua dieta em estado natural. As espécies chamadas de onívoras, como é o caso do azulão, têm variações na sua dieta em estado selvagem, variando de acordo com a disponibilidade, exigências, eficiência de aproveitamento, palatabilidade, predadores, etc.
As diferenças anatômicas entre espécies que ingerem diferentes dietas são grandes. Vale ressaltar que o fato de as aves voarem traz vantagens no sentido de encontrar alimentos e percorrer grandes distâncias, porém um melhor aproveitamento alimentar nem sempre seria vantajoso, pois isto implicaria num sistema metabólico mais complexo, e conseqüente menor capacidade de voar e menor agilidade.
Observar o que a espécie ingere em estado selvagem seria uma forma de se tentar formular uma dieta adequada, porém há limitações quanto a essa prática, pois numa espécie onívora como o azulão, a dieta é muito variável, além de as condições domésticas serem muito diferentes das selvagens – Em domesticidade os pássaros estão num ambiente termoneutro, e tem uma exigência energética menor pelo fato de estarem confinados. Em reprodução doméstica de azulões, em alguns casos foram notadas penas brancas nas asas dos filhotes, sendo esse também um sintoma de desbalanceamento de aminoácidos da dieta, em especial da lisina. Baseado na informação de que existem grandes variações anatômicas dentre as espécies de acordo com seus hábitos alimentares, e com base nos sintomas apresentados, podemos concluir que os azulões devem receber tratamento diferenciado que seja mais adequado à espécie. Além da água, energia, vitaminas, minerais, etc, que devem estar presentes na dieta dos azulões, notamos que os nutrientes diretamente envolvidos com os problemas de penas dos azulões são os Aminoácidos. Dos 20 aminoácidos contidos na proteína, noves são chamados de essenciais, isto é, não são sintetizados pelos pássaros, devendo estar necessariamente presentes na dieta. São eles: Arginina, Isoleucina, Leucina, Lisina, Metionina, Fenilalanina, Treonina, Triptofano e Valina. Histidina, Glicina e Prolina são sintetizados por pássaros, porém em quantidades pequenas, que em alguns momentos podem passar a ser essenciais, devendo ser suplementados pela dieta.
Esses nutrientes devem estar presentes todos os dias na dieta de um azulão, porém, notamos que em alguns momentos da vida, os requerimentos são maiores, como por exemplo, no desenvolvimento do filhote, período no qual ocorre intensa deposição muscular e formação de penas. Durante a muda, há formação de novas penas, formadas em mais de 90% de proteínas na matéria seca. Outra fase em que a demanda por aminoácidos essenciais cresce é durante a fase de postura de uma fêmea. Predizer qual a quantidade fornecer de cada aminoácido para um azulão, na mantença ou nas fases de maior exigência é quase impossível. O que nos resta, é utilizarmos algumas práticas simples que têm dado resultado: - Mistura de sementes: A mistura de sementes deve ser bem variada. Utilizar maior proporção de alpiste, e jamais exagerar na quantidade de girassol, semente que os azulões adoram, mas que é muito oleosa (altamente energética).
- Farinhada: O fornecimento de uma farinhada de excelente qualidade é indicado durante todo o ano. Dar preferência aquelas farinhadas secas que possuem ovo e insetos na sua fórmula.
- Fornecimento de Ovo: Principalmente durante a fase de procriação, o fornecimento de ovo cozido, além de uma excelente farinhada, tem proporcionado aos filhotes pleno atendimento das exigências, com desenvolvimento satisfatório.
- Ração extrusada: Segundo os fabricantes, este produto é completo e balanceado, atendendo totalmente as exigências dos pássaros. Vale ressaltar que não possuímos informações sobre seu fornecimento contínuo durante anos seguidos e que no caso de fornecimento, deve-se procurar por produtos de empresas idôneas.
- Banho e Frutas: Importante lembrar, que a alimentação pode ser complementada com o fornecimento de frutas, legumes e larvas, sem exageros (ex: pepino, maçã). Além disso, devemos proporcionar banhos de água e de sol pela manhã, fundamentais para a beleza, qualidade e brilho das penas.
Concluindo, podemos afirmar que, utilizando algumas simples práticas, não notamos qualquer dificuldade com os azulões. Pelo contrário, podemos dizer que o azulão é um pássaro fantástico, de lide muito fácil, temperamento calmo na proximidade humana, um verdadeiro companheiro!

Azulão – Como Acasalar
Autor: Rob de Wit – Zootecnista (Diretor de Criação de Azulão – COBRAP)
Finda a muda de penas, o frio diminui, os dias ficam longos e quentes. Nesse cenário nossas aves nativas costumam iniciar o processo reprodutivo. Com as condições acima descritas favoráveis, geralmente, temos o início pleno da reprodução logo após o início das chuvas na região do Brasil Central. Porém não é só de fatores ambientais que o sucesso da reprodução depende. É fundamental que o criador tenha feito um bom trabalho de preparação. Esse trabalho inclui ter proporcionado adequado descanso para os pássaros durante a muda de penas, além de ter proporcionado excelentes condições nutricionais até então e também estar certo de que as condições sanitárias estão ótimas.
Antes de nos focarmos sobre as fêmeas, temos de nos atentar aos machos. É muito comum termos problemas com as penas dos azulões. Durante minha caminhada junto a esse maravilhoso pássaro, notei que na grande maioria das vezes, o problema de penas se dá nos machos. Acho que é o momento de refletirmos, porque o problema ocorre preferencialmente em machos? Se o ambiente e a alimentação das fêmeas é semelhante ao dos reprodutores, porque estes sofrem mais? A resposta está, basicamente no fator manejo. Pois bem, todos sabemos que azulões são extremamente territorialistas, talvez até mesmo o mais territorialista de todos os nativos. Aí é que entra a importância extrema do manejo do criadouro. Temos de ter uma série de cuidados com os machos, em especial na época da muda. Nessa fase, o que os azulões precisam é de tranqüilidade. Promover disputas nessa fase pode inviabilizar toda a temporada reprodutiva. Não tenho a menor dúvida de que em 99% dos casos de problemas de penas em azulões, o culpado é o proprietário. Erra principalmente ao submeter o pássaro a condições de estresse. Erro comum é ver criadores forçando o azulão a cantar o mais rápido possível ao final da muda. Vale a dica: Mantenha o azulão acomodado até que por si mesmo ele reinicie a cantoria. Esse processo tem que ser natural, não pode ser forçado. Azulão bem manejado, sem ser exposto ao estresse, além de bem nutrido, não tem problemas de penas.
O canto do macho no ambiente de criação pode ser fundamental para que as fêmeas iniciem a postura. Isso, na zootecnia, é chamado de fator macho. Ele libera feromônios e estimula a produção de hormônios nas fêmeas. Importante frisar que cada fêmea fica numa gaiola, sem contato visual com outra fêmea.
Nesse momento, é importante oferecer uma alimentação que estimule a postura. Essa alimentação, basicamente deve ser composta de um nível maior de proteína, feito através do oferecimento de farinhadas e rações extrusadas ricas nesse nutriente. Isso pode ser visto também em ambiente natural. Com a chegada do verão, o número de insetos (ricos em proteína) aumenta muito, e azulões ingerem muitos insetos. Há criadores que fazem essa suplementação com o oferecimento de farinhada de filhotes, larvas de tenébrio ou mesmo de ovo cozido.
O ninho mais adequado para os azulões é o ninho feito de bucha vegetal, o mesmo utilizado para bicudos, facilmente encontrado no mercado. Para a construção do ninho, as fêmeas aceitam bem sisal desfiado e raízes. A partir desse momento, muita atenção para não perder o momento da gala. É muito comum a fêmea pedir “falsa gala”, mas nesse momento o macho não costuma galar, parece saber que é falsa. Quando é pra valer ele não perde tempo.
Podemos notar, a partir de agora, certas diferenças com relação a curiós e bicudos. Ao contrario dos anteriores, onde é comum vermos agressões se o momento não for o correto para a gala, os azulões se demonstram muito amorosos. Pode-se tentar deixar o casal junto, raramente acontece desentendimento. Isso pode ser prático para quem não tem tempo para ficar observando a gala. Deixe o casal junto e separe o macho quando os ovos estiverem entre o 8º e 10º dia de incubação. Nota-se que a fêmea não pede gala “em silêncio” como curiolas. Elas costumam emitir um ruído tipo “pi-pi-pi-pi-pi-pi” contínuo. Depois de serem galadas ficam com as penas arrepiadas, como se tivessem tomado banho. O comportamento do macho também é diferente de curiós e bicudos, que em geral “batem fogo”, ficam arrepiados e cantam. O azulão não costuma cantar nem se arrepiar. Ele muda a posição das asas, que ficam semi-levantadas, como se ficasse com ombros levantados. É uma postura muito elegante e que o deixa com ares de valentia.
São postos de 2 a 3 ovos. Os dias seguintes ao nascimento são muito semelhantes ao de outras espécies de nativos. Os filhotes devem receber ótima alimentação, tomando-se o cuidado para não deixar a farinhada azedar, o que acarreta a morte de filhotes. Atenção especial ao momento de anilhar: as anilhas para azulões são de 2.8mm, o que significa que devem ser anilhados bem novos, entre o 6° e 7º dia de vida. O “desmame” é feito depois dos 35 dias. É comum ver fêmea alimentando filhotes por mais tempo, da mesma forma que é comum ver filhotes alimentando uns aos outros. Os filhotes podem ser separados imediatamente ou mantidos em gaiolões comunitários nos primeiros meses. Gosto da segunda opção, pois noto que o comportamento social é de extrema importância.
É comum ver azulões adultos extremamente mansos e filhotes bastante arredios. Isso não é motivo de preocupação, pois com o passar do tempo esses filhotes se tornam mansos. Também é comum ver machos ficando pintados já na muda de ninho, com poucos meses de vida. E ficam totalmente azuis já na muda seguinte. Podemos ver que a reprodução de azulões não é difícil. Diria, pelo contrário, que se a criação é bem manejada, podemos criar vários filhotes sem dificuldade. Vale também salientar que uma eventual dificuldade no manuseio de vários machos num único ambiente é comum. Porém, posso afirmar que, o criador que domina esse manejo com azulões, está apto a lidar com qualquer outro nativo, com facilidade.

Azulão: Como Reproduzir
Vai se aproximando uma nova temporada de reprodução, e muitos dos aficionados por azulões acabam decidindo tentar reproduzi-lo em ambiente doméstico. Iniciativa essa nobre, pois o azulão é um pássaro que precisa ser mais criado em domesticidade para suprir a demanda por exemplares legais. Inicialmente, podemos dizer que existem muitos manejos distintos que podem ser utilizados na reprodução de azulões. Não se pode concluir que um é melhor do que o outro, diferentes situações, se bem trabalhadas, podem trazer bons resultados.
O que passaremos a partir desse artigo são alguns aspectos gerais, além da descrição de um sistema de criação em poligamia, onde um macho é utilizado para várias fêmeas.
Azulões são pássaros de grande fogosidade. Os machos possuem uma fibra muito grande assim como as fêmeas são tidas como aves que “abaixam” (evidenciam posição de cópula) muito facilmente. Mas isso não necessariamente quer dizer que estejam aptas à reprodução.
Dependendo da região em que o criadouro está situado, o inicio da estação reprodutiva pode variar um pouco. De maneira geral, ela ocorre de outubro a março, podendo ser iniciada um pouco tardiamente e se prolongar até abril/maio, conforme observações práticas. De qualquer maneira, podemos dizer que fatores básicos que influenciam o início e o final da estação reprodutiva são a temperatura, luminosidade, umidade e fatores nutricionais. Partindo do princípio que as aves tiveram uma fase de muda de penas, que suas necessidades nutricionais foram atingidas e de repouso foram respeitadas, estabelecemos qual será a época de reprodução. Sugerimos que, com 30 dias de antecedência a ela, todo o plantel seja devidamente vermifugado. Estar livre de parasitas é fator importantíssimo para que se obtenha bons resultados. A vermifugação deve ser feita mediante bula, sendo a operação repetida após 15 dias.
Instalações devem ser totalmente lavadas e desinfetadas. Fazer um vazio sanitário, lavar as gaiolas e desinfetá-las com desinfetantes comerciais é imprescindível. Uma boa dica é fazer o uso de vassoura de fogo após a lavagem das gaiolas e do galpão. Jamais se esquecer de desinfetar os objetos utilizados no dia a dia. Ainda dentro desses 30 dias que precedem a estação reprodutiva, podemos fazer uma espécie de “flushing”, isto é, um estímulo nutricional. Observações feitas com pássaros em estado selvagem nos dão excelentes dicas para o manejo. Umas dessas observações, é que com a chegada das chuvas e do período quente, ocorre grande aumento da ocorrência de insetos, muito apreciados por muitos pássaros, inclusive azulões. Insetos são ricos em proteína. Portanto, fazer um incremento protéico na dieta dos pássaros pode ser uma boa. Isso pode ser feito de várias maneiras, entre elas com o fornecimento de uma excelente farinhada comercial, com teor protéico de no mínimo 24%.
Cumpridas essas etapas, distribuímos as fêmeas em gaiolas individuais, e para cada uma delas fornecemos um ninho em forma de taça, desses utilizados para bicudos. Os ninhos feitos de bucha vegetal têm trazido ótimos resultados. Fornecemos material para a construção do ninho, que pode ser constituído por pedacinhos de corda de sisal desfiada ou raízes finas de capim, lavadas e secas à sombra.
O macho deve receber um manejo adequado. Estar em excelente condicionamento físico, sem excesso de peso, e cantando muito são fatores importantíssimos. Ele deve ficar fora do alcance visual das fêmeas, mas nas proximidades, pois sua presença (principalmente o seu canto) é um importante estímulo para as fêmeas. Diariamente, pode-se mostrar o macho para as fêmeas, e observar o comportamento de cada uma delas. É muito comum elas solicitarem a cópula mesmo sem estarem prontas. Nesse caso, o recomendado é que o criador use sua sensibilidade, de forma a não perder tempo fazendo as coberturas em vão. Um bom indicativo do momento exato para o acasalamento é quando a fêmea está com o ninho pronto. Em geral, a fêmea deixa de aceitar o macho, 24 horas antes de colocar o primeiro ovo. Duas coberturas ao dia bastam, uma pela manhã e outra à tarde, sendo o macho retirado imediatamente.
São postos de dois a três ovos, que são incubados durante 13 dias. A alimentação dos filhotes deve ser rica em proteínas. Sugerimos teor protéico acima dos 25% PB nos primeiros dez dias de vida. O fornecimento de ovo (bem cozido ou industrializado em pó) é muito indicado, pois é uma fonte nutricional de excelente qualidade. Anéis são fornecidos pelo Ibama, com diâmetro interno de 2.8mm. O anelamento deve ser feito quando os filhotes estiverem com aproximadamente 5 dias de vida.

Fonte: COBRAP - Confederação Brasileira dos Criadores de Pássaros Nativos.


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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Davi Hemerly em Sex Abr 12, 2013 9:53 am

Parabéns pela postagem, Reryson. Vai ajudar muitos criadores.


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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Itamar Júnior em Sex Abr 12, 2013 11:07 am

Muito bom!

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por wolverinne em Sex Abr 12, 2013 11:29 am

bela postagem e de grande valia aos menbros...toda forma de ajuda é sempre bem vinda...e de fato esse é uma das especies mais linda da mãe natureza,nao q outras não tenham sua beleza ,mas,a do azulão é inigualavel....abraço a todos...e vamos q vamos....!!!!

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Agapornis do Tito em Sex Abr 12, 2013 2:38 pm

E verdade, o azulão além de ser muito belo, ele tem um canto bastante bonito e apreciado. Parabéns pelo post Raryson Very Happy Very Happy Very Happy


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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Diego Henrique em Seg Abr 15, 2013 11:16 am

Muito bom, tive 2 casais. lindo o canto!!


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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Thiago Gonzaga em Seg Abr 15, 2013 8:17 pm

Parabéns ! Também os acho muito bonito gostaria de ter um . Problema aqui é que não tem nenhum pra transferência Rolling Eyes


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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Bruno Buzinaro em Ter Abr 16, 2013 6:29 am

Bom Artigo.


Só dê ouvidos a quem te ama. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito.
Padre Fábio de Mello.

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Messias Antonio em Qua Maio 29, 2013 3:21 pm

MUITO BOM, COM ESSAS ORIENTAÇÕES VOU MELHORAR OS CUIDADOS COM O MEU AZULÃO

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Gentil francisco Barbosa em Ter Jun 24, 2014 8:46 pm

bela postagem Reryson vai me ajudar muito .

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por ricardo_cpt em Qua Jun 25, 2014 9:03 am

muito bom o texto... a leitura foi longa... mas muito boa...

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Re: Criando o Azulão

Mensagem por Diego Henrique em Ter Dez 30, 2014 7:17 am

UP!!


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Re: Criando o Azulão

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