Mycoplasma

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Mycoplasma

Mensagem por Davi Hemerly em Qui Mar 28, 2013 9:56 am

Mycoplasma

Os Mycoplasmas são os menores microorganismos de vida livre, diâmetro variando entre
100 e 300 nanômetros e comumente encontrados tanto em plantas como em animais,
inclusive o humano. O Mycoplasma pneumoniae, nos anos 60, chegou ser confundido com
os vírus e foi chamado agente Eaton. A extrema pequenez do genoma limita muito a
capacidade de biossíntese, o que, explica as difíceis exigências nutricionais para o seu
cultivo em laboratório e a necessidade de ter existência parasítica(vivem às custas de
outros seres vivos. Sólon, um dos sete grandes pensadores gregos, chamou de parasita o
freqüentador assíduo dos banquetes oficiais.

É, amigos, puxa-sacos e sócios do erário
público existem há muito tempo) ou saprófita (vivem sobre outros seres vivos sem os
prejudicar). Dependem, para a sobrevivência, da ligação às células dos hospedeiros para
na busca de precursores essenciais como ácidos gordurosos, nucleotídeos, aminoácidos e
esteróis. Por não terem parede celular, sendo contornados somente por três membranas,
apresentam como propriedades biológicas mais importantes a resistência aos antibióticos
betalactâmicos (antibióticos, como as penicilinas e as cefalosporinas, que possuem na sua
fórmula o anel betalactâmico e agem destruindo a parede celular da bactéria. A
bacitracina, por agir da mesma maneira, também sofre a resistência dos Mycoplasmas) e
grande pleomorfismo (capacidade de apresentarem-se de diversas formas, como cocos,
bastonetes e anelar dependendo do meio em que se desenvolvem). Por não produzirem
ácido fólico, também são resistentes às sulfonamidas e à trimetoprima.

A ausência da parede também os torna sensíveis a fatores externos: sobrevivem apenas por poucas
horas em superfícies secas e durante dois a quatro dias na água e, muito bom para os
criadores, são pouco resistentes aos desinfetantes comuns. Têm predileção pela
colonização do revestimento mucoso, provocando inflamações crônicas nos tratos
respiratório e urogenital e nas articulações (juntas) de várias espécies de animais,
inclusive aves e cães. Aí está, amigo Ivan, mais uma causa daqueles passarinhos com as
juntinhas inchadas e com dificuldades para pousar no poleiro. Causam desarranjo dos
cílios (formações digitiformes que movimentam a camada de muco) das células mucosas
e, algumas vezes, a destruição celular. Alguns, como o U. urealyticum, expressam uma
protease (enzima) que destrói a imunoglobulina A, um dos fatores de defesa mais
importantes da mucosa (membrana que forra os órgãos ocos e as cavidades naturais do
organismo, mantida úmida por uma camada de muco). 2
Pertencem à ordem Mycoplasmatales, da classe Mollicutes. Foram agrupados em três
gêneros: 1- Mycoplasma, que necessitam colesterol para o crescimento; 2- Acholeplasma,
não necessitam colesterol para crescerem e 3- Ureaplasma, também necessitam do
colesterol para o crescimento, além de uréia para o metabolismo energético. Umas
quatorze espécies de Mycoplasmas já foram descritas como causadoras de doenças no
homem/mulher (vivo perguntando, por que falar somente no homem sempre que queremos
nos dirigir aos humanos? Parece um critério machista do homem, querendo ter primazia
até nas doenças, sô!).

O Mycoplasma orale e o salivavarium até o momento são tidos como
reles comensais da cavidade oral; o Mycoplasma pneumoniae, o mais famoso da patota, é
uma causa comum de pneumonia em todas as idades humanas. O Ureaplasma urealyticum e
o M. hominis (olha aí de novo, por que não também M. mulheris?) em geral vivem
assintomáticos no trato geniturinário, mas podem provocar infecções oportunistas em
adultos e recém-nascidos.

O M. genitalium, o M. fermentans e o M. penetrans podem ser
encontrados nos tratos respiratório e geniturinário humanos e merecem a atenção.
O básico para a patogenicidade do Mycoplasma é a aderência às células mucosas do
hospedeiro, processo multifatorial e complexo responsável pela patogenicidade de muitas
outras bactérias. Embora a maioria dos mycoplasmas fixem residência e multipliquem-se
na superfície celular, algumas, como o M. fermentans, o M. penetrans e mais raramente o
M. pneumoniae, podem localizar-se no interior celular onde ficam protegidos dos
antibióticos e dos anticorpos do hospedeiro; aí está a explicação para a cronicidade da
doença e a dificuldade de cultura em meios artificiais. Algumas espécies produzem
citotoxinas, como as exotoxinas e o H2O2 (peróxido de oxigênio), e polissacarídeos. Nas
aves, como em outros animais, existem alguns fatores que facilitam a infecção pelos
mycoplasmas: membrana epitelial imatura, ambientais(ar seco e calor), excesso de NH3 e
infecções por alguns vírus (paramixovírus, reovírus, adenovírus) e bactérias como a
Escherichia coli. Num surto dentro de um aviário podem haver desde pássaros
assintomáticos até os quadros mais graves e mortais. Uma importante propriedade do M.
hominis é a metabolização do aminoácido arginina com a conseqüente liberação de amônia
que é tóxica para as células.

O M. pneumoniae e o hominis produzem peróxido de
hidrogênio, oxidante potente capaz de lesar as células. Os Ureaplasmas, que exigem
colesteróis para o crescimentos e formam colônias bem pequenas em forma de ovo frito
em meio contendo agar, diferentemente dos outros gêneros da classe Mollicutes, têm
atividade de urease (enzima) que pode induzir a produção de cálculos urinários e a
degradação das imunoglobulinas A secretoras que têm importância vital na defesa da
mucosa. Alguns indivíduos infectados com o M. pneumoniae desenvolvem anticorpos
reativos contra o cérebro, coração e músculos e auto-anticorpos da classe IgM que
aglutinam os eritrócitos humanos a 4 graus centígrados (aglutinação a frigore). Para a
imunidade (defesa) os Mycoplasmas genitais exigem anticorpos específicos, o que, explica
o fato da falta de anticorpos maternos, que passam para o feto nos meses finais da
gestação, ser a causa do alto risco da doença para os prematuros. Dentro de uma Ordem
as diferentes espécies provocam reações cruzadas entre elas, determinadas pela 3
pequena antigenicidade (capacidade de reagir com anticorpos resultantes de uma
resposta imunológica) determinada pela ausência de parede celular e por ficarem nos
recessos da parede celular pouco acessíveis aos mecanismos de defesa do hospedeiro;
essa baixa especificidade leva ao alto número de reações falso positivas em exames
laboratoriais.

Os Mycoplasmatales possuem baixa infectividade, exigindo para a disseminação contato
próximo entre os indivíduos, sendo as infecções mais comumente encontradas nos locais
de maiores densidade populacionais. Os tratos respiratórios e genital são as portas de
entrada primárias.

Os microorganismos são disseminados pelas excreções das vias
respiratórias (como as gotículas eliminadas durante a fala, canto, tosse ou espirros) e
pelas gônadas de ambos os sexos. Nas aves, a infecção dos sacos aéreos pode conviver
com a do ovário e dos folículos em desenvolvimento. Como pode haver muitos pássaros,
inclusive filhotes, contaminados assintomáticos mas capazes de transmitir a doença, a
atenção do criador na inspeção do seu plante e para a higiene do ambiente Nos ninhegos
o contato direto é a principal maneira de disseminação. Pais podem contaminar os filhotes
alimentando-os com conteúdo contaminado do papo. A transmissão transovariana pode
ser importante em alguns criadouros. A fêmea contaminada é capaz de transmitir o
microorganismo diretamente a toda a ninhada. Citam-se também a transmissão pelas
penas ou poeira contaminadas. Estresses como o frio, corrente de ar e exercícios
intensos (como os longos vôos de pombos de competição) podem tornar aparente uma
infecção até então inaparente.
No homem, os Mycoplasmas mais importantes são o M. pneumoniae, o Ureaplasma
urealyticum e o M. hominis.

O Mycoplasma pneumoniae é responsável por aproximadamente 15% das pneumonias nos
humanos, sendo causa comum de traqueobronquites e bronquiolites. A adesão às
membranas celulares ciliares é mediada pela proteína de adesão P1; a invasão da parede
das vias respiratórias no máximo chega à membrana basal. As culturas, como de material
colhido da garganta e do catarro, são demoradas e o exame sorológico mais usado para
confirmar o diagnóstico é o ELISA (enzyme-linked immunosorbent), exigindo o
diagnóstico definitivo a soroconversão em dois exames feitos com intervalos de 2 a 4
semanas. Embora haja controvérsias, podem ser usadas dosagens de IgM e IgG e a
fixação do complemento.

Sempre que for confirmado a presença de um caso na
comunidade será muito provável a existência de outros. Os anticorpos encontrados no
ELISA e na fixação do complemento apresentam reação cruzada com outros antígenos,
principalmente de outros Mycoplamas, o que requer muito cuidado na avaliação.
O Ureaplasma urealyticum, com 14 sorotipos, e o Mycoplasma hominis, com sete
sorotipos, são os chamados Mycoplasmas genitais, podendo ser isolados no trato
urogenital baixo de mulheres e na urina, no sêmen e na uretra distal de homens
assintomáticos. Provocam inflamação crônica do trato geniturinário e das membranas
amnióticas (membranas que se desenvolvem em torno do embrião dos vertebrados
superiores e formam o saco amniótico). Fazem parte do grupo das DST (doenças 4
sexualmente transmissíveis).

O M. hominis é uma das causas da doença inflamatória
pélvica, inclusive a salpingite (inflamação da tuba uterina por onde passa o óvulo) que pode
levar à infertilidade.

Mycolasmas em aves. Muitas espécies de aves podem ser contaminadas pelos
Mycoplasmas, inclusive os pássaros ditos de gaiola (cage birds). Embora possa atingir a
ave em qualquer idade, a incidência é maior entre os filhotes. Os Mycoplasmas mais
comumente encontrados nas grandes criações de aves domésticas são o Mycoplasma
gallisepticum, que provocam lacrimejamento, catarro nasal, problemas respiratórios com
tosse e inchaço dos seios infraorbitários pela sinusite, saculite, queda na produção de
ovos e septicemia secundária pela Escherichia coli (coisa ruim nunca vem sozinha); o
Mycoplasma synoviae, que se manifesta por diarréia esverdeada, inchaços das almofadas
das patas e nas articulações dos membros anteriores (asas) e posteriores (patas) que
levam a ave a movimentar-se muito pouco. Nas articulações o quadro típico é o de sinovite
(inflamação da membrana sinovial, revestimento interno da cápsula articular),
principalmente dos tendões (tenossinovite), como acontece comumente nos jarretes. A
bursite (inflamação da bursa, bolsa contendo líquido situada em locais de atrito mais
forte) do osso esternal pode a piorar a respiração e Mycoplasma meleagridis,
manifestado por queda da fertilidade, mortalidade de filhotes, deformidades de
membros e pescoço, sinais respiratórios de média intensidade, catarro nasal, inflamação
e inchação dos seios infra-orbitários (sinusite) e grande predominância entre os perus. O
Mycoplasma iowae está também entre os mais encontrados, provocando mortalidade
embrionária e queda na fecundidade dos ovos A incubação varia com a espécie de ave e
do Mycoplasma, girando em torno de 6 até 21 dias.

A mortalidade pode ser alta, podendo chegar a 90% entre os filhotes de faisões. A doença dissemina-se lentamente e os olhos do criador devem estar atentos para os primeiros sinais como o pestanejar freqüente e a
arranhadura das pálpebras. Aos poucos o estado geral vai se deteriorando, as pálpebras
incham-se, a ave torna-se incomodada com a luz (fotofobia) e os olhos ficam
encatarrados. Pode haver letargia, ficando a ave indiferente ao meio ambiente,
inapetente e sonolenta, chocalhando a cabeça para remover secreção nasal grossa. Aos
poucos vai perdendo peso.

À inflamação da pálpebra (blefarite) ou da conjuntiva
(conjuntivite) pode seguir inflamação da córnea (ceratite) que, nos casos mais sérios,
pode levar à cegueira e morte por caquexia pela ave não ter condições de achar ou
movimentar-se até o alimento. Muito característico é o aumento, às vezes gigantesco,
com pouca ou nenhuma secreção, dos seios infraorbitários. O pássaro fica dispneico
(falta de ar), principalmente quando está excitado, e respira com o bico aberto. Podem
ser ouvidos sons respiratórios murmurejantes (putz!). Algumas espécies de Mycoplasma e
Acholeplasma podem ocasionar alta mortalidade embrionária. Em algumas espécies de
aves, como gansos domésticos, pode haver infecção com necrose do falo, infecção da
cloaca (cloacite), saculite (infecção dos sacos aéreos), orquite (infecção do testículo) e
peritonite (inflamação do peritônio, membrana serosa que reveste internamente as
cavidades abdominal e pélvica e externamente as vísceras nelas contidas) determinados 5
pelo M. cloacale e, mais raramente, pelo M. anseris; nos criadouros atingidos pode haver
altas incidências de ovos não férteis e mortalidade embrionária. O A. axanthum pode ser
isolado de fezes e de secreções das vias respiratórias de aves de criadouro com
mortalidade embrionária acima de 50%; nesses criadouros podem haver muitos casos de
salpingite e saculite.

As rinites, sinusites, conjuntivites e traqueites apresentam-se com
secreção grossa gelatinosa. Muitas vezes os Mycoplasmas lesam as mucosas e preparam o
terreno para infecções secundárias por bactérias como a Escherichia coli, vírus e fungos.
A infecção pode ficar endêmica num criadouro com pequenas evidências da sua presença
como sinais respiratórios vagos, lacrimejamento, sinusite ou debilidade. Somente após
contaminar um grande número de aves, ou nas situações estressantes, torna-se aparente.
Aí está uma aspecto muito sério do problema e que deve ser sempre levado em conta par
todo criador consciente. Os Mycoplasmas estão entre os agentes que mais comumente
provocam morte embrionária, conhecida pelos criadores como anel de sangue (blood-ring)
ou morte dentro da casca. Chegam ao ovo pelo oviduto ou pelo sêmen de machos
infectados.

Os antibióticos mais usados nas aves são a enrofloxacina, tilmicosin,
tetraciclinas, tylosin, tylamutin e lincospectin, os quais, somente devem ser usado por
indicação do veterinário. Geralmente os antibióticos são usados na água de beber, nos
alimentos e, muito interessante, injetado nos ovos (Tylosin ou a combinação de
lincomicina e espectinomicina injetados nas câmaras aéreas); há quem banhe os ovos em
soluções contendo antibióticos. Vi descrito que a elevação da temperatura em uma
incubadora (forced-air incubator) até 46 graus centígrados por 12 a 14 horas é efetiva,
mas pode diminuir em 8 a 12% a fertilidade dos ovos; não me perguntem se surte efeito
porque não aconselho e não gosto de ovo cozido.
Se o tratamento é área de atuação do veterinário, o papel do criador na profilaxia é
essencial:

- A manutenção higiênica do prédio onde está instalado o criatório deve ser diária,
evitando o acúmulo de dejetos e restos alimentares. As excreções do hospedeiro
protegem os parasitas da ação dos desinfetantes e devem ser removidas ante do uso
dos mesmos. Ter um jogo de mangueira, pazinha de limpeza, baldes, botas, vassouras,
rodos, cestos de lixo, etc. somente para dentro do criatório. Se existirem mais de um
ambiente, um jogo para cada um.

Verão que vale a pena o investimento. O uso de
detergentes e outros produtos de limpeza bactericidas deve ser feito com
orientação técnica. Aqui não cabem improvisações. Ainda advogo o uso de vassouras de
fogo tendo, é lógico, cuidado para não colocar fogo no prédio e nos pássaros. Sempre
usei esse procedimento no canil e é tiro e queda. Nunca houve problemas com
parasitas externos e, de quebra, elimino alguns parasitas internos que teimam em
viver algum tempo fora do organismo. É método de fácil execução, rápido e não tem
ação residual como os produtos químicos. Com técnica adequada não danificará
paredes, desde que não se fique com o fogo muito tempo num só lugar como estivesse
assando um churrasquinho, e, creio, poderá ser usada nas gaiolas de arame vazias. 6
Tendo-se o cuidado de tirar os pássaros do ambiente, isolando-se as partes
combustíveis das instalações, evitando-se a presença de líquidos inflamáveis, etc., o
método é seguro. Aconselho procurar informações com alguém que já tenha alguma
experiência para não cometer erros de principiante. Lavar, se possível de maneira
individualizada, os utensílios também com água filtrada. Se for possível, pelo menos
uma vez por mês, ferver os utensílios resistentes à fervura, principalmente as grades
e as bandejas do fundo da gaiola. Se for organizada uma rotina, mesmo nos criatórios
maiores as atividades profiláticas serão relativamente fáceis.

- Tratar as fêmeas contaminadas por Mycoplasma é essencialíssimo porque podem
infectar verticalmente os filhotes.

- Tratar os machos galadores infectados, pois, por ser comum usá-los com várias
fêmeas (poligamia), poderão contaminar, através do sêmen, o plantel numa proporção
geométrica. E criam uma cadeia de infectividade progressiva: macho – fêmea –
embriões ou ninhegos. Cuidado com os machos que vão a torneios ou a outros
criatórios para coberturas.

- Manter em observação e isolados todos os filhotes nascidos de mãe e/ou pai
contaminados. Os gaiolões com muitos filhotes funcionariam como creches ampliando
a disseminação da bactéria. A superpopulação é um fator poderoso na transmissão e
manutenção dos Mycoplasmas dentro de um criadouro. Deve ser evitada a chamada
China alada.

- Não caia naquela de dar antibióticos com finalidade profilática. São muito poucos os
casos em que o uso profilático de antibióticos tem valor comprovado. E a infecção
pelo Mycoplasma não é um deles. Fazendo isso você estará criando cepas resistentes
da bactéria, um problema para a sua própria família e para os seus pássaros. Cepas
resistentes de uma bactéria que se propaga facilmente num canaril são pragas de
sogra (só um xiste, porque a minha era ótima).

- Cuidado especial com pássaros trazidos de fora do canaril, mesmo que seja somente
para uma galadinha. Fazer quarentena nem sempre é praticável. Se o galador vier de
canaril que mantenha boas condições higiênicas tudo fica mais fácil. Seria ótimo os
donos dos bons pássaros galadores manterem os pássaros em ótimas condições de
higiene física, social e até mental, pois, eles podem representar um boa fonte de
renda para abater nas despesas do criatório.

- Com as aves vindas de outros criadouros a quarentena é obrigatória, a não ser que
venham de criatório que mantenha rígidas condições de controle sanitário do plantel.
Creio que a quarentena de três semanas seja suficiente para a maioria das doenças 7
infecciosas. Não trazer o pássaro em gaiolas do criatório de onde o adquiriu. Manter
o pássaro entrante fora das instalações que albergam o plantel. O ideal seria uma
pessoa para cuidar somente dele e que não tivesse acesso ao criatório. Se não, usar
luvas ou lavar rigorosamente as mãos, com água e sabão, após o trato e cuidados com
os utensílios da ave em quarentena. Todos os utensílios, produtos alimentares,
vassouras, pazinhas, cestos de lixo, etc. devem ser mantidos separadamente dos
usados para o plantel. Ponto de água para lavar os utensílios separados. Muito
cuidado com os excrementos. A quarentena deve ser para valer ou nem vale a pena
ser feita.

Apesar da transmissão ser através das secreções das vias respiratórias e genitais,
condições anatômicas das aves, como a presença da cloaca que pode permitir
contaminação das fezes e urina por parasitas existentes nas secreções genitais, devese ter alguns cuidados comuns no controle de parasitas, como as enterobactérias, que
são transmitidas pela via fecal-oral. Esses cuidados tomam dimensão ainda maior se
levarmos em conta que essas bactérias, principalmente a Escherichia coli, estão entre
os parasitas capazes de agravar uma infecção pelos Mycoplasmas.:

- Lavar rigorosamente as mãos com água e sabão, sabão mesmo, esfregando as unhas
com uma escovinha antes de manusear as frutas, as hortaliças e a água que serão
fornecidos aos pássaros. As mãos devem ser lavadas, sempre com água e sabão, antes e
depois de manusear pássaros ou os utensílios.

- Lavar rigorosamente, com água e sabão, frutas e as hortaliças que serão dadas aos
pássaros e enxágua-las muito bem. Podem ser deixadas por alguns minutos em solução de
água e vinagre ou de hipoclorito de sódio, não se esquecendo de enxaguar copiosamente
antes de dá-las aos pássaros. Pela simplicidade creio que o lavar as mãos, as frutas e as
hortaliças já será uma grande ajuda no controle desses parasitas.

- Oferecer aos pássaros somente água, no mínimo, filtrada. A água fervida seria mais
seguro, desde que seja mantida no fogo pelos menos durante 20 minutos após levantar a
fervura. Os mesmo cuidados devem ser tomados com a água para os banhos dos
pássaros. Esfregar bem os bebedouros para remover o biofilme líquido que fica na
superfície e que pode albergar muitas bactérias. O ideal seria ter jogos de dois
bebedouros para intercalá-los diariamente, possibilitando a secagem completa de um
dia para o outro do que não estiver sendo utilizado.

- Muito cuidado com as fezes das aves. O papel do fundo da gaiola deve ser trocado
diariamente. O costume de colocar várias camadas de papel não é bom, pois, o filtrado
da parte líquida fecal pode levar os parasitas para a folha de baixo (lembrar que
estamos lidando com seres microscópicos). Deve ser usada uma folha de papel e a
bandeja deve ser limpa diariamente e colocada ao sol (para isso, seria bom ter, pelo
menos, duas bandejas por gaiola). Individualizar as bandejas para evitar usar bandeja
usada em gaiola de pássaro contaminado em a gaiola de pássaro não contaminado, 8
criando, assim, condições para disseminação da infecção pelo criatório. Se você usa
areia na bandeja, tenha muito cuidado, pois, se não houver troca constante e higiene
impecável, será um meio propício para manutenção dos parasitas.

- Muito cuidado com as gaiolas usadas para manter os machos ou levá-los aos
torneios. Como ficam a maior parte do tempo fora do criatório, têm maiores
possibilidades de ser depósitos de parasitas. São feitas de madeira, com muitos
detalhes e têm muitas saliências e reentrâncias que facilitam a vida dos parasitas e
dificultam higienizá-las. E, na maioria das vezes, não possuem grade separando a
bandeja dos pássaros como acontece com as gaiolas de criação. Creio que, num futuro
próximo, poderão ser substituídas por gaiolas feitas somente de arame.

- As vasilhas contendo sementes, farinhadas, minerais e água devem ser colocadas
de modo a evitar que sejam atingidas pelos jatos evacuatórios dos pássaros. Inspecioná-
las diariamente e, se estiverem sujas com excrementos, desprezar o conteúdo e
higienizá-las.

- Muito cuidado com os poleiros. Devem ser colocados de maneira que não possam ser
sujos pelas fezes, pois, pelo hábito das aves limparem o bico neles após alimentarem-se,
a contaminação será fácil.

- Levar água filtrada e/ou fervida quando for a torneios, evitando dar ao pássaro
água da torneira sem as condições higiênicas seguidas no criatório. Se esquecer, é
preferível dar água de garrafa tipo natural. Nem para o banho deve ser usada água do
local dos torneios.

- Cuidado com a água do banho dos pássaros. Deve ser, pelo menos, filtrada e,
sempre que possível, fervida. Tirar a vasilha logo que o pássaro terminar o banho.

- Algumas vezes os parasitas podem ser trazidos para o criatório pelas patas de pássaros,
como os pardais, ou das moscas. Telar as janelas, portas e as aberturas para a
ventilação é medida heróica. Não deixar lixo ou restos de comida expostos é essencial
porque eles atraem pássaros, moscas e predadores, inclusive ratos. Muitas plantas
também são atrativos para os pássaros soltos visitarem o criadouro. - E sol, amigos,
pois, onde entra o sol não entra o médico, ou o veterinário, como dizia minha avó. Locais
escuros, muito quentes e úmidos jogam para os bandidos.

- As medidas profiláticas são econômicas e, tornadas rotinas, de fácil execução.

BOLETIM DO CRIADOURO CAMPO DAS CAVIÚNAS
Nº 9 OUTUBRO DE 2003
REDATOR: Dr. JOSÉ CARLOS PEREIRARUA JOAQUIM DO PRADO, 49.
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Davi Hemerly
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Re: Mycoplasma

Mensagem por Isabella Sales em Qui Mar 28, 2013 10:00 am

Ótimo artigo,já ouvi falar nessa doença.


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Re: Mycoplasma

Mensagem por Itamar Júnior em Qui Mar 28, 2013 1:03 pm

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Re: Mycoplasma

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