O canário negro Brasileiro

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O canário negro Brasileiro

Mensagem por Davi Hemerly em Dom Mar 24, 2013 6:27 pm

O canário negro Brasileiro


Da sua cor original verde-acinzentada, ater as incontáveis variações de nuances hoje atingidas, são decorridos quase seis séculos. Embora se destacando na sua plumagem os pigmentos negros, o canário não apresentou neste período nenhuma mutação genética que o tornasse completamente negro, embora tendo permitido a introdução do fator vermelho. Esta expectativa pelo aparecimento do canário negro é bem refletida no interessante artigo do Prof. Giorgio de Baseggio, o qual, com autorização, transcrevemos:
“Por mais de um século, a idéia de dar vida a um canário negro é uma preocupação fixa no homem. Um canário, talvez, de aspecto menos atraente que qualquer outra variedade de cor das que já existem, sejam ou não de fator vermelho (herdados do Tarim da Venezuela), porém que sempre seria uma variedade interessante ao extremo.

Desde há mais de 20 anos estou em contato com numerosos hidridistas e investigadores do canário negro, sejam de italianos ou de outros países. Entre as numerosas notícias que estão em meu poder, resumirei as que em seguida exponho, dado que a hipótese para obter o canário negro é, do ponto de vista genético, realizável.
Portanto, dado que seria um belo acontecimento se obter pela primeira vez em nosso país um canário totalmente negro, com as características bem fixadas em seu patrimônio hereditário e transmissíveis de igual forma à sua descendência (feito este que, base as notícias nacionais e internacionais em meu poder, todavia não se tem produzido, apesar de haver-se logrado exemplares inteiramente negros), com o fim de animar a muitos investigadores a empreender seriamente esta carreira sobre bases técnicas e científicas seguras, creio seja oportuno resumir os resultados até agora obtidos. Na Itália, no último decênio, os criadores e hibridistas que realizam sérios intentos na busca do canário negro estão aumentando consideravelmente.
Antes de submeter a exame detalhadamente cada espécie que possuem plumagem negra (cuidados com cativeiro, etc) vamos ver agora os resultados até hoje conseguidos nas experiências de hidridação com o canário.

A etapa histórica na carreira para o canário negro

Com base nos dados em meu poder, passemos agora a desenvolver a “etapa histórica” sobre os intentos efetuados até agora na busca do canário negro.
Pela primeira vez na Europa foi importado em 1873 a Alario (Serinus alarius) pássaro exótico oriundo da África, de cabeça pescoço, manto, garganta, partes anteriores e laterais do peito e remiges negras; dorso marrom vermelho telha; rabadilha e cauda marrom; partes restantes do corpo de cor branca.
O Dr. Franken, alemão, o hibridou pela primeira vez no ano de 1875, com fêmea canária obtendo alguns híbridos criados em viveiro. Alguns decênios mais tarde, um hibridista inglês conseguiu seis híbridos que foram expostos em um certame com o nome de : ”Negrinho”. Nos anos seguintes, tanto na Itália como na Alemanha, França, etc, se obtiveram outros híbridos, alguns dos quais (sobretudo machos), apresentavam a cabeça, o pescoço, as asas e a parte do dorso negro ou Nero amarronzado.

Porém o Alario se importa só excepcionalmente, cuja escassez impede a repetição dos cruzamentos com vistas a incrementar e difundir a cor negra da plumagem a seus híbridos e descendentes. Os híbridos de Alario x Canária e vice-versa, se tem mostrado tanto férteis como estéreis, embora que as fêmeas F1 pareçam todas estéreis, se bem que Gil indique que obteve na Inglaterra uma fêmea híbrida fértil.
Sobre a fertilidade dos híbridos do Alario, em qualquer caso, o tema está aberto, já que, devido a sua escassez no mercado, as experiências até agora registradas, a igual que ocorre na busca do canário negro com seus descendentes, são demasiado exíguas para oferecer uma estatística positiva. No meu parecer, no alario existe demasiado marrom e, por conseguinte, não está muito indicado na carreira do canário negro.

Com o Negrinho (Volantinia Jacarina.”Tiziu”), nenhum resultado

No número de julho de 1915 da revista inglesa “Cage Birds”, se cita a possibilidade de obter o canário negro utilizando-se várias espécies exóticas de plumagem negra e os hibridistas dirigiam sua atenção para o Negrito (Volantinia Jacarina), exótico da América do Sul chamado na sua terra de origem de “Sierra Sierra” (N.T. – “Tiziu”), o qual é inteiramente negro no macho com ombros ou infracoberturas alares brancas, embora a fêmea seja marrom, intensamente misturado de marrom escuro.

Em 1936, um belga logrou três ninhadas do acasalamento de macho Negrilho (“tiziu”) x canária, porém todos os ovos resultaram estéreis. Entre 1933 r 1940, se fizeram na Alemanha várias tentativas entre macho Negrilho e canária, obtendo Tão somente alguns híbridos que resultaram totalmente infecundos, pelo que este caminho foi sucessivamente abandonado. Faz alguns anos, quem escreve não estava a par destas notícias, pelo que tentei repetidamente o acasalamento entre o Negrilho e canária com os seguintes resultados (este exótico se mostra mais carinhoso para a fêmea, salvo exceções, alimentando-se freqüentemente); muitos ovos claros alguns com o embrião morto aos 4-6 dias de idade, uns poucos híbridos viáveis, de cor marrom escuro completamente estéreis, apesar de que alguém havia escrito recentemente que é possível obter o Negrilho F1 férteis e que, destes híbridos, novamente acasalados com canários, só obtinham diretamente descendentes amarelos, verdes e marrons não diferentes do canário e todo ele considerado como um feito “mais que normal” e dizendo abertamente a possibilidade de selecionar (sic!) exemplares com melaninas negras.
Estas puras invenções da fantasia, expostas diretamente como afirmações, são muito nocivas enquanto geram grandes confusões entre os criadores e denotam tão somente uma presunçosa ignorância e poucos escrúpulos ao difundir notícias que mais são heresias cientificas e técnicas.

O “Negrito da Bolívia”

Sucessivamente os investigadores dirigiam suas atenções para o Negrito da Bolívia (Spinus Atratus), exótico sul-americano que tem a plumagem totalmente negra, excetuado o baixo ventre, penas sub-caudais e franjas alares amarelas no macho, enquanto a fêmea é marrom escura com manchas amarelas, como o macho.
A primeira oportunidade da hibridação do Negrito da Bolívia x canária teve lugar nos Estados Unidos, porém sem resultados positivos. A publicação “Aviculture Magazine”, em uma comunicação de E.

Hopkinson no ano de 1938, assinala os resultados positivos obtidos na hibridação do Negrito da Bolívia (chamado em inglês “Black Siskin”, e na América do Sul, de “Cabecita Negra Chileno”) com canária. Na revista “All Pets Magazine” apareceu em 1944 um artigo de C. Krummel que registra o nascimento de vários híbridos de cor verde acinzentado na plumagem dos jovens e quase negro nos adultos. Naqueles anos não se teve notícia alguma sobre a fertilidade dos F1. Nos anos sucessivos foram notificados distintos casos em que se obtiveram híbridos (D. Cameron, 1951; A. Beard, 1952; U. Bolzonella, 1953; A. K. Gill, 1953, 1955; J. A. Diaz, 1954; Bender, 1955; V. Orlando, 1954, 1955, 1956).
Os mencionados hibridistas tentaram todos inutilmente obter R1 nascidos de F1 de Negrito da Bolívia x canária.
Em maio de 1956, o sr. Umberto Bolzonella, de Pádua (Itália), difundiu a notícia seguindo a qual havia obtido dois R1 cruzado com uma canária. Já o sr. Brunelli, de Roa, no início de 1954, havia obtido híbridos F1 a alguns mais nos anos seguintes.
Em Portugal, o Marquês do Fayal obteve em 1961 um híbrido, com a cauda, zona sub-caudal e remiges amarelas, sendo o resto da plumagem todo negro.

O sr. Bonzonella demonstrou, portanto a fertilidade dos F1, sendo o primeiro do mundo a consegui-lo. Não sabemos por que não continuou as experiências no seu primeiro intento de obter o canário negro.
Desde 1962 até nossos dias, numerosos hibridistas, prevalentemente de outros países, obtiveram híbridos com o Negrito da Bolívia. Tais híbridos resultaram umas vezes fecundos e outras estéreis. É necessário comprovar a autêntica fertilidade depois do terceiro ano de vida e até o décimo, no mínimo, pois sabemos que os híbridos dificilmente resultam fecundos nos primeiros anos, pois suas gônadas amadurecem de forma retardada em relação à espécie original da que procedem.
Hoje sabemos que o Negrito da Bolívia é um pássaro extremamente delicado, muito propenso às doenças gastrointestinais e a distúrbios do sistema circulatório, dado que é uma espécie de montanha e necessita ambiente fresco, não úmido, e se adapta mal aos níveis baixos das planícies. Num artigo a propósito, trataremos detalhadamente desta espécie, suas necessidades e cuidados em cativeiro.
Das experiências realizadas até agora, se tem obtido F1, R1 e R2.
Parece, mas não tem sido, todavia, convenientemente comprovado, segundo “rumores” chegados até nós, que em diversas partes do mundo se tem obtido exemplares similares ao canário, completamente negros (na Bélgica, Itália, U.S.A., Alemanha), procedentes do Negrito da Bolívia.
Na Bélgica, L. Tielens, secretário da C.O.M., sustenta ter obtido o canário negro com Negrito da Bolívia (notícia que ele mesmo me comunicou na presença de diversas testemunhas).

O Lúgano Dorso negro

Principalmente durante os últimos vinte anos, de haver hibridado com a canária também o Lúgano Dorso Negro (Spinus Psaltria), conhecido na Colômbia e Venezuela como Capanegra, negra nas partes superiores e amarelo intenso nas inferiores (macho), embora as fêmeas apresentam as partes superiores marrom esverdeadas e cinzenta, e as inferiores amarelo pálido. Diversos hibridistas, entre os quais se inclui quem escreve, tem obtido F1.

Porém, somente um hibridista alemão e outro italiano tem continuado adiante com os experimentos. O italiano é o valente Mario Masé, de Bolzano, que no ano de 1969 obteve um F1 cinza escuro uniforme com uma franja branca nas asas (herdada do exótico), produto da hibridação entre Lúgano Dorso Negro e canária verde. No ano de 1971, deste F1, acasalado com canária verde, obteve 3 R1; um macho com plumagem cinza escuro, muito escuro, com extensas zonas negras; ombros amarelos, franjas alares amarelas; e duas fêmeas de cor cinza-claro. Em 1972, do F1 (sempre cruzando com canária verde), obteve outros cinco R1 (3 machos e 2 fêmeas), com as mesmas características dos obtidos anteriormente.

Em 1973, o sr. Masé cruzou os R1 de ambos os sexos com canária verde. Os machos R1 demonstraram ser completamente fecundos na união com fêmeas canárias. Em 1973 nasceram 8 R2, seis machos e duas fêmeas, todos eles do mesmo tamanho que o canário de cor, embora os R1 fossem de tamanho um pouco menor que o canário e os F1 de tamanhos intermediários entre as duas espécies. Os machos R2 são muitos escuros, com asas e cabeças negras; franja branca, muito extensa nas asas e certos exemplares apresentam as remiges totalmente brancas. As fêmeas R2 são de cor ardósia, mais clara que os machos R2, com, zonas de plumagem claras.

O sr. Masé tem continuado os cruzamentos dos exemplares ardósia muito escuros, com zonas complementares negras, para busca do Mesettino, como pretende chamar (se o conseguir), o canário negro (ITÁLIA ORNITOLÓGICA Nro 3, 1978; transcrito também em LAS AVES (Redorni) nro 21 –mai/jun, 1979, pág.25).
Neste período de convívio com o homem, o canário apresentou muitas mutações, tendo alguma delas sido ignoradas pelo desconhecimento, e perdidas no tempo.

No que concerne à cor de plumagem, as filiações possíveis das diversas mutações são assim esquematizadas pelo sr. Maurice Pomarede, no seu livro “Lê Canari – Précis de Canariculture”: Relatos sobre o aparecimento de canário negros não são tão infrequentes.
Num artigo escrito pelo sr. Giuseppe P. Mignone, intitulado “Observações sobre o aparecimento de um canário negro”, extraímos alguns trechos:

“... o problema da obtenção da linhagens de colorido melânico escuro (negro) difuso sobre todo o manto é indubitavelmente um dos problemas mais interessantes, também e sobretudo do ponto de vista hibridológico, porém menos rico de resultados; isto justifica as tentativas de numerosos ornitologistas hibridistas (o u não) de tentar soluções em várias direções.”
Nesta breve nota me proponho ilustrar uma experiência sobre argumentos anotados pelo colega Ph. Deckers sobre uma linhagem de canários Border. Em 10 de fevereiro Deckers recolocava o ninho na gaiola de criação e três dias depois se iniciava a postura do primeiro ovo, ao qual se seguiram outros quatro para um total de cinco, dos quais dois fecundos. A eclosão do primeiro ovo se verificou em 1 de março, e se tratava de um indivíduo normal, de pele vermelha; o segundo apresentava, ao invés, cabeça, pescoço e pele escuros; o terceiro era inteiramente, pelo contrário, de pele negra, bico e patas inclusive. Infelizmente, aos cinco dias do nascimento, este terceiro filhote foi achado morto no ninho com o papão completamente vazio.

Acrescenta Deckers: “...poderão me acusar de incapaz nos cuidados e tratamento, porém desejo precisar minha justificativa que um certo fator possa ter determinado a negatividade desta interessante experiência, devido a que o filhote negro quando abria o bico não mostrava na mucosa um bonito avermelhado, vivo, como nos outros filhotes no ninho, mas havia um palato e garganta escuros (negros). Esta, segundo eu, é a razão para que os pais tenham tido menos “convite” a alimenta-lo; entretanto, cuidavam e alimentavam amorosamente os outros dois. Tratar-se, todavia, no nosso modesto parecer, de anomalia pouco difusa em cativeiro, devido a modificações cromáticas e fisio-químicas, que se concretizam com a produção e acúmulo de pigmentos e de formação ultra-estruturais, cuja histiogênese é presumivelmente ligada a fenômenos das oxidações e co-envolvem o metabolismo celular. Tais fenômenos, devido quase certamente a mutações insurgidas a nível somático pro conseguinte, não transmissíveis hereditariamente à Lei de Mendel, em que pese a esperança de Deckers posso estar, outrossim, interpelando como uma carência de enzimas capazes de ativar no protoplasmas reações apropriadas, ou são conseqüentes a presença das partículas metabólicas, como radicais livres, que formam na célula como produtos transitórios das reduções dos lipídios.

Normalmente a célula, em pleno vigor metabólico, como aquela dos filhotes, está em grau de anular a presença de tais radicais livres graças aos sistemas antioxidantes, os conhecidos sistemas “lixeiros”(“scavengers”).
Não se pode excluir que este processo de anormal acúmulo melânico a nível celular, constitui das máximas verdades e próprios processos lesivos da vida celular própria, se repercutindo sobre as condições de funcionamento dos tecidos e, assim, de todo o organismo, levando em definitivo e próprio irreversíveis e fatais. Por e sob esta razão e sobre estes problemas, cabe advertir dos anúncios sensacionalistas, hibridológicos ou puramente seletivos, que vez por outra emparelham nos mas media avulsos do contexto rigoroso do qual estão originados e que estão assim susceptíveis de interpretações incorretas.”(“Osservazione Sull’Apparizione di um Canarino Nero”- in IL MONDO DEGLIUCELLI – ano X, nro 6-Nov/Dez 1980, pág. 239)
Há alguns anos, ocorreu na Itália uma mutação chamada Pele Negra. Em correspondência pessoal (2 de julho 1983), o prof. G. de Baseggio nos informa:

“...os filhotes nasciam com a pele negra, muitos morriam, outros (uma minoria) chegavam a adultos; estes tinham o bico e patas negras, a pele escura, a plumagem verde-negra ou negra com áreas verdes; a plumagem dos adultos é, quase sempre, descomposta; os adultos, freqüentemente, são estéreis ou parcialmente férteis; são canários débeis, que fizeram um certo sucesso há cerca de 10 anos na Itália; mas a constante delicadeza do seu organismo, a escassa fertilidade, a elevada mortalidade dos jovens e adultos tem feito reduzir muito a criação (nestes últimos anos não se houve mais falar de criadores que criam, na Itália, os Pele Negra”).
Afora alguns casos registrados na literatura brasileiro (como por exemplo o pitoresco relembrado em boletim da CRAC-Canaricultores Roller Associados Cariocas: Um fato em Foco – Canário Preto, onde em 1954/54, na cidade de Niterói, um canaricultor haveria conseguido híbridos de canária x Tiziu (Volatinia jacarina, este em liberdade), pouco se observa de concreto.

O Canário Negro Brasileiro

Em fevereiro de 1983, o criadouro do Sr. Roberto Domingos D’Agostino, em Campinas – São Paulo, nasceu um estranho canário verde escuro, que no seu desenvolvimento ficou com sua plumagem praticamente negra, com pequenas áreas em algumas extremidades de penas algo marrom. O bico e uma unha da pata direita são apigmentados. A subplumagem é uniformemente negra e a pele avermelhada. O canário é filho de um macho mestiço ágata com verde e uma fêmea cobre, que estavam sendo utilizados como “ama-seca” para Yorkshire. Este fato foi registrado no “Anuário Técnico” da UCRB (União dos Canaricultores Roller do Brasil), editado em junho. Com a divulgação desse fenômeno, obtivemos várias informações.
Do sr. Wallace Dean, antigo e conceituado articulista do CAGE & AVARY BIRDS (jornal inglês editado semanalmente) em correspondência pessoal de 30 de agosto, obtivemos:
“Tenho estado no ramo da criação de canários por cerca de quarenta anos, e neste tempo um certo número de canários negros foram criados.

O último que vi foi criado pelo sr. Hughes de Wales, que obteve seu pássaro de um casal de Gloster algo manchados de amarelo. Eu estudei este pássaro de perto, o qual a maior parte era negra, o dorso, estrias nos flancos,e algumas penas da face eram verdes.

Umas poucas penas da cauda eram amarelas. A conclusão a que cheguei foi de que ele era um verde melânico e era muito dividido se a sua estranha coloração seria herdada pelos seus descendentes.
A versão melânica de vários pássaros pode ser produzida, por exemplo, no “Bullfinch”, certas variedades de faisões, etc, mas nenhuma delas é permanente e voltam ao normal na muda seguinte. Se isto aconteceu ao pássaro do sr. Hughes eu não sei. Pelo que sei, este pássaro, junto com seus pais, foram para o sr. Ascheri (Paris) e nenhuma notícia foi recebida sobre os mesmos desde então (1945/6), portanto parece ser razoável presumir-se que a cor retornou ao normal, ou que esta anomalia não foi transmitida aos seus filhos.
Um pássaro, grandemente favorecido pelos criadores de canários de cor, o qual pode produzir um canário negro, é o Negrito da Bolívia (Bolivian Black Siskin – Spinus Atratus). Esse pássaro pode cruzar com o canário, porém não tão facilmente quanto o Tarim-da-Venezuela (Red Siskin – Spinus Cuculatus).
Algum sucesso foi obtido com a criação de gerações de F2 de híbridos por um criador da Itália. Mas as notícias são muito esparsas e eu não sei de posteriores progressos.

Existe o negro no Tarim da Venezuela, mas nenhuma tentativa tem sido feita para isolá-lo. Alguns híbridos (F2-F3-F4) mostram distintas marcas negras, mas os criadores dominados pelo canário vermelho muito poucas tentativas tem sido feitas para isolar este negro.

É interessante que o canário negro mencionado no seu artigo venha de uma fêmea cobre. Se esta é de origem híbrida, então há possibilidade que seja influência do Tarim. Se o pássaro se confirmar macho, é desejável acasala-lo com sua mãe. Será apenas a produção de um outro canário negro durante as duas ou três gerações seguintes que determinará se este aspecto anormal é herdado.
A retenção do negro após a próxima muda é que mostrará se ele é “melânico”. É comum que desapareça com a próxima muda.
Também tentativas devem ser feitas para produzir outro negro no próximo ano a partir do macho original. Acasala-lo com a fêmea cobre poderá ser de auxílio, porém sem qualquer outro conhecimento da sua herança do negro é difícil saber o que melhor fazer.
Estou de posse de algumas fotos feitas a partir dos seus slides e submeterei a cópia junto com seus comentários ao “CAGE & AVIARY BIRDS”.
Especialmente dedicado a este artigo o prof. Giorgio de Baseggio escreveu, em 5 de setembro “Canário Negro”.
O canário negro brasileiro, do qual tenho conhecimento, trata-se de um macho, podendo ter havido origem provavelmente de uma das seguintes causas:

A-variação somática temporária. Devida a particulares situações ambientais (ex: sabe-se que o ambiente muito úmido torna escura ou quase negra a plumagem, enquanto em ambiente seco (árido) torna mais clara a plumagem; isto acontece tam’bem na natureza; eu próprio tive uns “Ciuffolotti”(Pyrrhula Pyrrula) fêmeas mantidas em viveiro na sombra e com umidade que, na muda das pelas, trocaram a plumagem uniformemente ou parcialmente negra; na muda sucessiva a sua plumagem tornou-se anormal), ou alimentares (a carência de determinados princípios alimentares pode, às vezes, fazer escurecer a plumagem). Se se trata dessa “variação somática”, na primeira ou segunda muda a plumagem do canário negro deve tornar-se normal (como aquela dos pais) desde que a alimentação esteja correta.

B-mutação genética hereditária: Se se trata de uma mutação genética, é provável, sendo o canário um macho, trata-se de um “fator homozigoto recessivo” (em tal caso ambos os genitores deverão ser portadores do fator negro. Uma outra hipótese pode tratar-se de uma “mutação dominante”, havia no embrião dentro do ovo (porque, do contrário, no caso de uma mutação dominante, um ou ambos os genitores deveriam ter tido também sua plumagem negra).
Se bem entendo, o canário negro, após ter superado a muda, tem novamente “colocado fora” as penas negras e cinzentas; se se tratasse de uma variação somática (veja ponto A), a plumagem devia tornar-se como aquela normal dos pais.
Tenho examinado, com uma lente, as penas do peito, que recebi: são uniformemente negro-esfumaçadas, e isto é um fato muito positivo, no sentido que se tem demonstrado uma difusão de melanina (indispensável para obter-se uma plumagem negra), entretanto nós sabemos que os canários verdes (Serinus Canarius) apresentam uma concentração de eumelanina negra na parte central.

Desejaria receber, se possível, algumas penas das asas (remiges) ou cauda (timoneiras). Realmente pretendo examinar, junto a um laboratório especializado, todas as penas (peito, remiges, timoneiras) no microscópio eletrônico, no intuito de estudar a estrutura da pena e também o tipo das distribuições dos granulócitos melânicos (depois lhe enviarei os resultados obtidos).”
De Montpellier, na França, o sr. Maurice Pomarede, em 6 de agosto, escreveu:
“Duas hipóteses são possíveis: o canário negro é uma mutação ou então uma anomalia resultante de problemas endócrinos.

Se for uma mutação, a cor se conservará na muda. Se for um problema glandular a cor se alterará e poderá reverter ao tipo negro-marrom clássico.
Nunca, no meu conhecimento, foi constatado um canário negro que tenha sido um mutante cuja cor possa ser passada a seus descendentes. No caso do pássaro que nos interessa será necessário, se possível, cruza-lo com um dos seus pais e a seguir cruzar um de seus filhos com ele. A consangüinidade deverá permitir obter outros canários negros.
O fator para o azul, ao qual fez referência em seu interessante artigo, não pode, efetivamente, conduzir ao canário negro. Ele simplesmente ativa a cor concentrando a eumelanina em detrimento da Feomelanina. É um método para melhorar o canário negro, mas não para obtê-lo. O canário negro não pode resultar senão que de uma modificação de ação da glândula hipófise.

Esta última deverá produzir muito mais MSH. Este aumento de produção pode ser devido a uma mutação concernente às células que fabricam este hormônio. Se o gen é livre e recessivo, ele não pode se expressar ao desaparecimento do hormônio MSIH que, normalmente, limita a ação do hormônio MSH.
Esta última possibilidade me parece mais verossímel. Ao curso da muda, uma transformação endócrina pode afetar a produção de MSH e tem-se visto pássaros que se tornam negros ou cessam de ter o negro em sua plumagem. Bem entendido que neste caso não estamos na presença de uma mutação, mas de um distúrbio endócrino passageiro, mas que se faz notar nas penas até a próxima muda.
O canário negro brasileiro nascendo negro, pode muito bem se tratar de uma mutação, mas só o tempo dará certeza. Eu fiquei um pouco surpreso de ver que ele não é totalmente negro e que conserva o marrom em pontos que não consigo explicar. Espero que se obtenha outros canários negros a partir deste”.
Prosseguindo suas observações, em 28 de agosto o sr. Pomarede escreve
”... tomei conhecimento do fato que o canário negro é um macho. Eu já suspeitava pelo seu ar agressivo e sua cabeça achatada, muitas vezes características dos canários machos.

No caso de uma mutação, o que me parece provável, o cruzamento com a mãe é o mais indicado, mas pode também cruzar com uma fêmea que seria do tipo negro-marrom, mas com duplo fator azul (Isto é, com plumagem mais escura e brilhante). Com efeito, a análise que se pode fazer da mutação é a seguinte:
Deve-se admitir que o caráter negro é devido a um gen que pode ser livre e recessivo, ou seja, dominante. Deve-se eliminar o gen recessivo ligado ao sexo (porque o exemplar é um macho) e um caráter dominante ligado ao sexo é incompatível com a raridade dos canários negros.
Que em duplo exemplar, o que se supõe que os pais eram consangüíneos, O aparecimento de um mesmo gen em dois pássaros não parentes, e isto num mesmo tempo, é altamente improvável. Ora, eu não penso que haja essa consangüinidade. Por conseguinte, pode-se pensar que o canário negro não intervém em gen livre e recessivo.
Se o gen é dominante, ele necessariamente apareceu na hora da formação dos gametas em dos pais. E existe em um só exemplar, e é provavelmente letal em estado homozigoto. Se ele não fosse letal, nós teríamos conhecimento de muito mais canários negros. Neste caso, o canário negro é necessariamente heterozigoto, para o gen responsável, que se poderia chamar fator negro. O que se refere o dr. Giorgio de Baseggio, reforça a hipótese de um gen letal. A característica letal poderia ser mais ou menos marcada em função de outros fatores.
Assim como aparecem muito poucos canários com topetes, espontaneamente, isto é, a partir do canário sem topete, aparecerá muito pouco do canário negro. Enquanto que no topete só concerne o modo de cruzamento das penas, na melanização está em jogo um mecanismo muito complicado, que se refere à vida do indivíduo: intervenção de hipótese e do hipotálamo. O canário negro arrisca mais a desvantagem dos distúrbios funcionais que o canário de topete”.

Em artigo publicado na revista francesa “LE JOURNAL DES OISEAUX”(Nro 1 de fevereiro de 1980), intitulado “As Melaninas”, o sr Michel Darrigues escreve:
“... Nós podemos concluir dizendo que o canário negro existe e que se trata do negro-marrom atual, mas que jamais o canário negro estará como um corvo ou um pássaro preto, pois o negro é sempre segregação mais clara sobre os bordos. Mais de um fenômeno lipocrômico vem colorir nossos canários de cor, a não ser que haja fenômeno de melanismo, que é uma desregulação hormonal passageira, e nós temos com freqüência constatado um Pintassilgo (carduelis Carduelis) Negro,, um canário negro, mas, no ano seguinte, estes pássaros (após a muda) tornaram-se normais”.

Contestando algumas afirmações, o sr. Pomarede, em 26 de setembro, nos escreveu:
“...Não é fácil ter conhecimento suficientes de biologia e genética, que requerem muito estudo. Eu conheço o sr. Darrigues, que é um criador e juiz reputado. Apesar de respeita-lo, tive que corrigir alguns erros. O sr. Mesmo me constata que está errado em dizer que o canário negro existe e que se trata do negro-marrom atual. O negro-marrom não é um canário negro, mas o canário negro pode existir. Igualmente ele mistura melaninas. De fato a eumelanina pode não ser negra, pois ela explica a cor dos olhos humanos, mas não se pode confundi-la com a feomelanina. A eumelanina não é jamais marrom, como é na plumagem dos pássaros a feomelanina”.
Da Holanda, o sr. F.H.M.Kop, em julho, escreveu:

“...Pela estrutura das penas eu determinei que as penas que me enviou não possuem estrutura azul de maneira nenhuma. Eu não acho que o pássaro seja um mutante ao longo da prole; o pássaro é presumivelmente um macho, o gen explica as manchas do pássaro jovem depois da primeira muda.
O pássaro é, contudo, muito mais escuro que qualquer verde ou mesmo que qualquer canário azul-aço que eu tenha jamais visto no meu microscópio e deve, desta maneira, ser considerado um aquisição muito valiosa para nossa canaricultura”.
Em 23 de setembro o sr. Kop envia mais informações:
“...As penas que me enviou foram dissolvidas por mim e os pigmentos (que são eumelanina) foram extraídos. A preparação (lâmina) que estou enviando, contém grânulos de eumelanina do canário negro.
No final do mês de outubro, o canário negra já apresentava três filhotes (todos já anilhados) do cruzamento com sua mãe. Todos tem as características de verdes (embora mais escurecidos, assim como o canário negro tinha nessa idade, segundo o sr. D’Agostino).
O pai do canário negro, que foi acasalado com uma canária cobre, também na mesma ocasião, tem outros três filhotes (sendo um deles com características de “canela”).

N.R. Infelizmente o sr. D’Agostino não conseguiu dar continuidade a esse trabalho pois estes pássaros não repetiram o resultado obtido (genético) quando do nascimento do primeiro canário negro brasileiro. Pena!
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Pedro Salviano Filho
Revista Pássaros nro 2
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Davi Hemerly
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Re: O canário negro Brasileiro

Mensagem por Itamar Júnior em Seg Mar 25, 2013 1:19 pm

Muito bom amigo! Very Happy

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Re: O canário negro Brasileiro

Mensagem por Pablo Lins em Seg Mar 25, 2013 1:48 pm

Realmente e uma pena ele não ter obtido sucesso, pois achei um belo pássaro.


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Re: O canário negro Brasileiro

Mensagem por Reryson Colares em Qui Maio 09, 2013 6:30 pm

Ótimo artigo!


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Reryson Colares
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