Criação de Coleiro, considerações

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Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Davi Hemerly em Sab Fev 09, 2013 8:57 am

Criação de Coleiro
Considerações

Continuando na linha de bem informar o leitor e na seqüência de dicas sobre a criação
dos principais pássaros canoros brasileiros, não poderíamos deixar de mencionar a
criação do Coleiro.

Sem dúvida, é o mais popular dos pássaros brasileiros, como disse o
amigo Epaminondas Jr. em seu artigo no Jornal do CUBIVALE N. 11. Seu tamanho
diminuto facilita o manejo. É a maior paixão de crianças que gostam de pássaros. Esse
lindo passarinho cantador é quase sempre o primeiro tipo de pupilo dos passarinheiros.
Foi o meu primeiro, quando tinha 6 a 7 anos, lá pela minha Manhuaçu. Havia centenas
deles por perto de minha casa. Hoje bem mais escasso, mas ainda é, certamente, o que
existe em maior número pelo Brasil afora. Conhece-se, pelo menos, quatro formas
diferentes: o coleiro de gola e do peito branco, o Sporophila caerulescens caerulescens;
o cabeça preta do peito amarelo, o Sporophila nigricollis nigricollis; o de gola e do peito
amarelo, o Sporophila caerulescens hellmayri.
Há ainda citações sobre o Sporophila ardesiaca e o Sporophila melanops, como Coleiro
mineiro e Coleiro de Goiás, respectivamente. Sobre o cabeça preta do peito branco não
há uma clara definição sobre o nome científico É preciso mais clareza dos técnicos e
dos livros existentes sobre a questão para se ter a certeza sobre o nome correto. É difícil,
também, é conhecer as fêmeas de cada um deles, são idênticas. O mais comum é o de
gola, coleira e de peito branco, o de dupla coleira - e é aquele que mais se cultiva, o
espécie típica.

Afirmam os mais entendidos que é o mais valente e cantador. Conhecido
também como: Coleirinha, Coleirinho, Papa-Capim, Coleira – Coleiro Laranjeira e
Papa-Arroz – é um pássaro de porte pequeno, 11 cm de comprimento, envergadura 17
cm, com 14 penas grandes em cada asa. De cor preta chamuscada na cabeça e costas;
abdome branco ou amarelo; mosca branca nas asas; garganta preta em cima de uma gola
branca para ter logo abaixo uma coleira de um preto bastante intenso. Os olhos
enegrecidos são circundados com pequenas penas claras, formando um gatinho. Bico é
delicado e possui tons amarelados, cor de laranja. Há um marcante dimorfismo sexual: a
fêmea tem a cor diferente do macho. Ela é parda, castanho claro, a mesma cor dos
machos jovens que vão gradativamente se tornando pretos, e já procriam pardos com a
idade de 7/8 meses.

Distribui-se por grande parte do Brasil, especialmente o Centro-Sul e países limítrofes.
Na natureza, costuma procriar entre os meses de novembro e março.
Preferem as beiradas de matas, pomares, pastos, brejos, capoeiras e praças das cidades.
É um pássaro territorialista, isto é, quando está chocando demarca uma área geográfica
em torno do ninho onde o casal não admite a presença de outras aves da espécie. Canta
muito e assim delimita seu território. Quando não estão na época da reprodução,
contudo, podem ser vistos em pequenos grupos junto com os filhotes. Estão sempre à
procura de alimentos, tipo semente de capim verde. Para isso, agarram-se aos finos talos
dos cachos para poderem se alimentar; são especialistas nisso. Embora o braquiária, seja
um capim exótico, apreciam muito sua semente e ele tem ajudado muito como alimento.
Nos meses de julho e agosto costumam se juntar em grandes bandos, especialmente nos
anos de seca prolongada.

Nessas ocasiões, o fogo costuma destruir os capinzais fazendo
com que os nossos queridos pássaros desesperados e famintos procurem os locais onde
possam encontrar comida, muitas vezes até no interior das cidades. Seu canto é simples,
melodioso e a frase musical tem, em geral, poucas notas; entre cinco ou dez. Não
repetem o canto, mas retomam muito rápido em alguns casos um a dois segundos de
espaço entre um canto e outro. Existe uma infinidade de dialetos; na verdade, cada
ecossistema possui um próprio. Todavia, há alguns que são mais apreciados e cultivados
pelos criadores. São eles: o tuí-tuí-zero-zero ou tuí-tuí-zel-zel (o mais comum), exemplo
desse canto está na fita do Cabrito; já nos cantos mais sofisticados, considerados
clássicos, o Coleiro emite a terceira nota, assim: tuí-tuí-grom-grom-grom-ze-ze-zel-zelzell ou tuí-tuí-tcho-tcho-tcho-tchá-tchá-tchaá e outras variações, para frases bem parecidas. A diferença está apenas no entendimento e na interpretação de segmentos de
criadores nas nomenclaturas onomatopéicas das notas. Exemplo desse tipo de canto são
as gravações dos Coleiros Mirante e Capricho. Em ambientes domésticos a
característica principal do Coleiro é gostar de passear e de ser submetido a muita lida,
isto é, quanto mais manuseado (mexido) mais canta. E seu desempenho nos torneios de
canto e fibra está em relação direta com a dedicação que seu dono lhe dispensa.
Depende muito disso. É, todavia, de fácil entrosamento e fica muito manso com um
pouco de carinho. Em suma, o Coleiro é uma ave muito apreciada por todos os
segmentos de passarinheiros e para vários objetivos, especialmente os torneios de canto.
Agora, pela Portaria 057 do IBAMA, só podem ser transacionados, sair de casa e
participar de torneios aqueles que forem criados em ambientes domésticos e que tiverem
anilha fechada, como prova disso.. Está aí, também, a Portaria 118, que é a de criadouro
comercial, a pessoa física ou jurídica que quiser montar um é só falar com o IBAMA,
em sua respectiva Superintendência Estadual.

Dessa forma, compete-nos então,
reproduzi-los em larga escala para poder preservá-los e suprir a grande demanda que
está aí. Quem quiser e puder praticar a sua procriação, terá, com certeza, sucesso
garantido. O Coleiro reproduz-se com mais facilidade que o bicudo e o curió e com uma
produtividade excelente. É uma ave longeva, vive por volta de trinta anos, dependendo
de sua saúde e do trato que se lhe dispensa. A alimentação básica deve ser de grãos,
notadamente o alpiste 50%, painço amarelo 30%, senha 10%, niger 10%, acrescentar
periodicamente o painço português legítimo.

É salutar que de disponibilize, também,
ração de codorna misturada a 50% com milharina adicionando Mold-Zap® à base de 1
gr. por quilo. Dois dias por semana administrar polivitamínico tipo Orosol®, Rovisol®
ou Protovit®, este à base de 2 gotas para 50ml d’água. Já sua alimentação especial para
a fase de reprodução deverá ser a seguinte. Quando houver filhotes no ninho, em uma
vasilha separada, colocar 3 vezes ao dia, farinhada assim preparada: 6 partes de
milharina, 1 parte de farelo de soja torrado,/ 1 parte de germe de trigo, / premix F1 da
Nutrivet® (4 colheres de sopa para 1 quilo), / sal 2 gr. por quilo, / Mold-Zap® 1 gr. por
quilo, / Mycosorb® 2 gr. por quilo. Após tudo isso estar muito bem misturado, coloque
na hora de servir uma gema de ovo cozido e uma colher cheia de “aminosol®” para uma
colher bem cheia de farinhada. Dá-se larvas, utilizando a chamada “praga da granja”;
(tipo de Tenébrio molitor, em miniatura, muito comum em granjas de avicultura
industrial), é a melhor e tem mais digestibilidade. Essa larva é diminuta e condizente
com o tamanho do bico do Coleiro. Oferecer até o filhote sair do ninho. É bom,
também, colocar sempre à disposição das aves “farinha de ostra” batida com areia
esterilizada e sal mineral (tipo aminopan®).

Outra questão importante diz respeito ao
lugar adequado para que eles possam exercer a procriação. Esse local deve ser claro,
arejado e sem correntes de vento. A temperatura ideal deve ficar na faixa de 25 a 35
graus Celsius e umidade relativa entre 40 e 60%. O sol não precisa ser direto, mas se
puder ser, melhor. A época para a reprodução no Centro Sul do Brasil é de novembro a
maio, coincidente com o período chuvoso e com a choca na natureza. Deve-se utilizar
gaiolas de puro arame, com medida de 60cm comprimento X 30cm largura X35 cm
altura, com quatro portas na frente, comedouros pelo lado de fora para dentro da gaiola.
A tala, a medida entre um arame e outro não pode ser maior do que 13mm. No fundo,
ou bandeja da gaiola, colocar papel, tipo jornal, para ser retirado todos os dias logo que
a fêmea tomar banho. Logo depois se deve retirar a banheira para colocá-la no outro dia
bem cedo. O ninho, tipo taça, tem as seguintes dimensões: 6cm de diâmetro X 4 cm de
profundidade, e será colocado pelo lado de dentro da gaiola. Pode ser feito de bucha (
Luffa cylindrica) por cima de uma armação de arame. Para estimular a fêmea prender
raiz de capim ou fiapos de casca de coco, assim ela cobrirá o ninho com estes materiais.
O número de ovos de cada postura é quase sempre 2. Cada fêmea choca 3/4 vezes por ano, podendo tirar até 8 filhotes por temporada.

As coleiras podem ficar bem próximas
umas das outras separadas por uma divisão de tábua ou plástico, mas não podem se ver,
de forma alguma. Senão, matam os filhotes ou interrompem o processo do choco, se isto
acontecer. Utilizar um macho de excelente qualidade, de preferência um
campeoníssimo, para 5 fêmeas. Nunca deixá-lo junto pois ele quase sempre prejudica o
processo de reprodução, e mata os filhotes. O melhor, é colocá-lo para galar e
imediatamente afastá-lo da fêmea. O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea
deitar e sai do ninho também aos treze dias de idade e pode ser separado da mãe com 35
dias. Com 8 meses, ainda pardos, já poderão procriar.

As anilhas serão colocadas do 7O
ao 10o dia, com anilha 2,3 mm de diâmetro - bitola 1 a ser adquirida do Clube onde seja
sócio. Pode-se trocar os ovos e os filhotes de mãe quando estão no ninho. Fundamental,
porém, é que se tenha todo o cuidado com a higiene. Lembremos que os fungos, a
coccidiose e as bactérias são os maiores inimigos da criação, e têm as suas ocorrências
inversamente relacionadas com a higiene dispensada ao criadouro. Armazenar os
alimentos fora da umidade e não levar aves estranhas para o criadouro antes de se fazer
a quarentena, são cuidados indispensáveis. Os tipos de torneio mais comuns são: 1)
Fibra - os pássaros são dispostos em círculo, a 20 centímetros do outro; aquele que mais
cantar no final da prova é o que ganha; 2) Canto livre – ganha aquele que mais cantar
em 5 minutos, ele compete sozinho, não é analisada a qualidade do canto; 3) Canto
Clássico – A ave é examinada sozinha durante 5 minutos; ganha aquela que tiver o
canto mais perfeito dentro do padrão pré-escolhido.

Tem sido realizados torneios de
Coleiros por quase todo o Brasil; sem poder citar todos, destacamos aqueles que
tivemos a oportunidade de presenciar ou de ser convidado: Porto Alegre-RS ,
Florianópolis-SC SAC, Paranaguá- PR , Jacareí -SP-CUBIVALE , Ribeirão Preto-SP,
Campos-RJ , Cachoeiro do Itapemirim-ES, Belo Horizonte -MG, Brasília-DF, São
Paulo-SP SERCA, Duque de Caxias-RJ. Como vimos, as regiões são as mais diversas, a
paixão é nacional, sem fronteiras.

Por fim, como sempre dissemos, não podemos deixar de mencionar essa importante
questão: como em todos os tipos de pássaros canoros, os produzidos domesticamente
têm muito mais qualidade do que seus irmãos selvagens, isto porque poderemos cruzar
os melhores com melhores. Esse é o grande fator de incremento e de estímulo da
criação. Quem poderá duvidar disso, a seleção através da genética funciona, e funciona
bem. É só testar.

A confiança da classe é grande, a responsabilidade também, os
aficionados são muitos, a demanda é enorme, as matrizes estão aí, capturar é proibido;
daí criatórios em ação, o respeito da sociedade e hobby preservado.. Agradecemos,
pelas informações recebidas dos criadores, Geraldo Magela Belo, 011-8105282,
Epaminondas Castaldelli Júnior 011-4304543, do cultivador de canto clássico João da
Quadra 016-6334186 e do expert no assunto Mário Correa Leite 012-3581786, o
competente Presidente da CUBIVALE.

Escrito por: Aloísio Pacini Tostes, em 2/9/2003


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por caio leal em Sab Fev 09, 2013 9:52 am

otimo documentário!! Very Happy


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Davi Hemerly em Sab Fev 09, 2013 4:45 pm

Com certeza.


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Leonardo Santtos em Sab Fev 09, 2013 6:15 pm

Muito bom, gostei mesmo ! Very Happy

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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Reryson Colares em Dom Fev 10, 2013 1:39 pm

Belo texto eim.


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Edinor Noernberg Junior em Ter Fev 12, 2013 7:11 am

Olhá muito bom Parabéns!!!


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Diego Henrique em Qui Fev 14, 2013 6:34 am

Muito bom!!


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Re: Criação de Coleiro, considerações

Mensagem por Andre Bass em Sex Fev 15, 2013 10:43 am

muito bom mesmo.


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Re: Criação de Coleiro, considerações

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