A história do canário desde sua descoberta

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A história do canário desde sua descoberta

Mensagem por Davi Hemerly em Dom Jan 06, 2013 12:46 pm

A história do canário desde sua descoberta

As aves sempre fascinaram a humanidade; uma grande prova disso são as inúmeras pinturas e esculturas encontradas nas pirâmides, desde simples adornos corporais a deuses que têm como representação a figura de diferentes pássaros. A história do canário não é tão remota assim, nem há registros que o relacionem com alguma divindade, mas isso não o torna menos especial que essas aves, representantes dos deuses. Sendo um dos mais procurados dentre todos os pássaros domésticos, o canário é estimado por seu canto suave e harmonioso e beleza de suas cores - e por ser um animal de estimação muito dócil, fácil e barato de cuidar, que faz pouca sujeira e ocupa quase nenhum espaço. A partir desta edição, a revista Brasil Ornitológico trará mais informações, para os iniciantes na canaricultura, sobre esse pássaro que, com seu canto, cativou até a Rainha Elizabeth, que reinou na Inglaterra, na segunda metade do século XVI. Qual a origem desses pequenos pássaros de canto harmonioso? As primeiras notícias sobre a existência do canário ocorreram após a ocupação das Ilhas Canárias pelo navegador João Bethencourt, em 1402. Esse arquipélago, pertencente à Espanha desde o século XV, localizado a pouco mais de cem quilômetros da Costa da África, quase em frente ao deserto do Saara, trata-se de uma região coberta por vegetação e fauna quase inexistentes em outras partes do mundo, onde poucos mamíferos, répteis e batráquios habitavam. E teria sido o habitat original dessa ave, balizada cientificamente com o nome de Serinus canarius e classificada pêlos naturalistas como pertencente à família dos Fringilídeos, no grupo dos Passeriformes. Ícones avium omnium, escrita pelo naturalista suíço, Conrad Gessner, em 1550, foi a primeira obra sobre o canário. Mas a descrição mais completa, desse habitante quase solitário das ilhas que lhe deram o nome, é dada por Ulisses Aldobrandi, em 1559. Diz que o canário silvestre é um pássaro de pequeno porte, não excedendo de doze centímetros. Nidifica em pequenos arbustos. É de cor atraente, de um verde amarelado um pouco acinzentado, com tons escuros nas asas. O dorso com raias pretas, o uropígio é de um verde amarelado, o mesmo ocorrendo com o peito; e esse tom vai se esmaecendo à medida que atinge o ventre. Bicos e pés escuros. Canto alto e sonoro'. Este seria o canário silvestre, habitante natural das Ilhas Canárias, origem de todas as raças atualmente existentes.

A difusão do canário pelo mundo

Há muitas contradições e desencontros de datas na história do canário. Mas alguns historiadores afirmam que a criação em cativeiro teve início há mais de quinhentos anos, pêlos espanhóis que ocuparam as Ilhas Canárias. A partir daí, os espanhóis mantiveram o monopólio do canário, por muito tempo, exportando apenas exemplares machos para evitar a concorrência estrangeira. Porém, como tudo tem um fim, este monopólio também o teve, quando um vapor carregado de canários naufragou perto da ilha de Elba, de acordo com o relato de Olinda, em 1622. Segundo o autor, em seu livro Ulcelleria, publicado em Roma, o naufrágio do navio nessa ilha foi o responsável pelo aparecimento dos pássaros na Itália e posteriormente na Alemanha.

Os canários teriam encontrado na Ilha de Elba condições favoráveis para seu desenvolvimento e puderam se reproduzir em grande quantidade, passando a viver em bandos. Um fato que merece destaque é que os canários jamais emigraram para o continente, pois eles encontraram nas ilhas, o alimento preferido e o clima (temperado) favorável ao seu canto. Sobre a veracidade desta narrativa, no que diz respeito à reprodução com outras espécies daquela ilha, pesam sérias dúvidas de ordem científica. Parece que o mais certo é se admitir que naquelas exportações tinham também fêmeas, uma vez que é fácil de se confundirem os sexos. Ou, então, que aquele carregamento não era constituído exclusivamente de exemplares machos.

Há ainda a hipótese da compra clandestina de fêmeas, como causa do fim do monopólio. Esta situação encontra ressonância no fato comprovado de Walter Raleig, quando de retorno daquelas ilhas à sua pátria, a Inglaterra, ter ofertado, à Rainha Elizabeth, diversos canários. E a soberana, cativada pelo canto daqueles pássaros, determinou que eles fossem criados no seu palácio, onde surgiu o primeiro canário amarelo de que se tem notícia. Este fato fez Shakespeare dizer que 'os olhos da grande Rainha tinham o poder de mudar as coisas em ouro'. Mas não foi somente a Rainha Elizabeth que se apaixonou pêlos canários. Izabel da Inglaterra, uma das mais poderosas e cultas da Europa, dedicou-se, também com carinho e paixão à criação de canários. E até imperadores da Alemanha e sultões do Oriente não conseguiram fugir ao fascínio dos artigos pequenos pássaros de canto harmonioso. Afirma-se que, naquela época, o sultão da Arábia tinha as salas do seu riquíssimo palácio cheias de gaiolas de canários. Afirma-se também que os italianos e holandeses, atraídos pelo belo e harmonioso canto dos canários espalhados por toda a ilha de Elba, começaram a capturar essas aves e vendê-las ao continente. Mas devido a grande demanda de compradores, se organizaram e iniciaram a criação e exportação desses pássaros para os países do Norte.

No final do século XVIII, os canários estavam sendo criados em grande escala na Suíça e no sul da Alemanha e foram espalhados pela Inglaterra, Rússia, Egito, etc. Mas, à medida que o canário se reproduzia em cativeiro, devido à quebra de sua cadeia alimentar original, a base de sementes e frutas nativas e insetos, começou a sofrer mutações na forma, no colorido de sua plumagem, no seu canto, e até em sua estrutura óssea. Há registros de que, em 1700, a Duquesa du Barry, apaixonada criadora de canários, fazia viagens a Flandes a fim de adquirir exemplares para melhorar o seu grande e já famoso plantei. Naquela época, o encarregado-chefe de sua criação, M. Hervieux de Chateloup, publicou um volume narrando as experiências com a criação de canários, que apresentavam 29 variedades de cores, dentre as quais figuravam o Amarelo, Verde, Ágata Dourado, Isabel Dourado, Junquilha de olhos pretos e claros. A criação de canários começava a empolgar não só amadores, mas também cientistas que passaram a estudar os aspectos genéticos do pássaro, explorando suas mutações, obtidas em cruzamentos contínuos, à procura de aperfeiçoamento e fixação de novas raças, variedades de forma, plumagens, cores e canto.

A Alemanha foi um dos países que se destacou na criação e aperfeiçoamento do canto e, mais tarde, na cor do canário, com os trabalhos do Dr. H. Duncker. E, à medida que o canário sofria mutações, surgiam também os primeiros grupos de aficionados no novo entretenimento, assegurando ainda mais o sucesso do desenvolvimento da canaricultura. Entretanto, o fato mais marcante na história da genética de aves e animais foi o cruzamento do Tarim da Venezuela (Spinnus cucullattus) com canárias. Os híbridos férteis desse cruzamento propiciaram a introdução do fator vermelho no canário, gerando daí centenas de novas cores que encantam freqüentadores de eventos ornitológicos. Atualmente os canários ancestrais não aparecem mais nas gaiolas e sim centenas de mutações com variadas cores, formas e tamanhos.

A chegada do canário e o seu desenvolvimento cm terras brasileiras

Não se sabe ao certo quando os primeiros canários surgiram em terras brasileiras, mas há quem diz que, por volta de 1890, esses pássaros já eram vendidos por marinheiros nos cais dos portos do Brasil. Em 1902 foram fundadas duas sociedades ornitológicas no Brasil, uma no Rio de Janeiro/RJ e outra em Pelotas/RS. Ambas eram chamadas de Sociedade Expositora de Canários e há registros que destacam a de Pelotas como "Premiada com o Grande Prêmio (medalha de ouro) na grande Exposição Nacional de 1908".

No início, a canaricultura no Brasil tinha como destaque os canários de canto e, em seguida, apareciam os de porte, principalmente os frisados parisienses, expostos, desde a primeira década do século, pela Sociedade Expositora de Canários, no Rio de Janeiro. Nos próximos anos, várias sociedades e clubes ornitológicos foram surgindo, sendo sua maioria concentrada no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. À medida que essas entidades se organizavam, começaram a aparecer também algumas raças inglesas, na década de 40 e os canários de cor, no início da década de 50.

Alguns eventos da época merecem destaque na história da canaricultura brasileira. Como a primeira grande exposição de canários de canto e de cor, realizada pela UCRB - União de Criadores de Roller do Brasil em 1949. Os pássaros julgados nessa exposição garantiram ao Brasil a participação no 1° Congresso Latino Americano, realizado em Buenos Aires. Nesse congresso o Brasil conquistou dois primeiros lugares; um em canários de Canto Clássico na categoria de filhotes e outro, na Cor avermelhada. Dois anos depois, em 1951, ainda sob a liderança da UCRB, foi realizado o 2° Congresso Latino Americano, em São Paulo e a evolução da nossa canaricultura era evidente. O Brasil foi Campeão em Canário de Canto e obteve vários primeiros lugares em Canários de Cor. No ano seguinte, no Pavilhão de Vidro do Parque de Água Branca (palco de vários "Brasileiros", inclusive o último da COB — Confederação Ornitológica Brasileira), aconteceu o 1° Concurso Nacional de Canaricultura, do qual participaram sociedades de várias regiões. No dia 12 de agosto, no decorrer desse evento, foi realizado o 1° Campeonato Brasileiro de Canaricultura, no qual decidiu-se fundar uma entidade de âmbito nacional que consagrasse os nossos clubes.

Nascia, então, a Federação Brasileira de Canaricultura — FBC, cujo presidente era Jerônimo Rocha. A entidade passaria por vários nomes e estágios até que, em 24 de setembro de 1988, foi denominada Federação Ornitológica do Brasil — FOB, sucessora das outras entidades, tão somente, do ponto de vista histórico.

Hoje a canaricultura no Brasil conta com aproximadamente 460 variações de cores no segmento denominado Canários de Cor, 26 raças que se dividem em 138 classes para concurso, no segmento de Canários de Porte e ainda os Canários de Canto Clássico.

Anualmente, as 172 associações de canaricultores de todo o Brasil, filiadas à FOB, realizam campeonatos em suas cidades nos meses de maio e junho, dos quais só podem participar os filhotes nascidos no ano anterior, devidamente anilhados. Os campeonatos são nos segmentos de Canários de Cor, Canários de Porte e Canários de Canto. E, apesar de todos os canários machos de todas as raças cantarem perfeitamente a partir de quatro meses de idade, só os canários do segmento Canto Clássico "Roller" é que podem participar do concurso de Canto.

Após os campeonatos regionais, a FOB realiza o Campeonato Brasileiro de Ornitologia que acontece sempre no mês de julho. Este ano, mais de 20 mil pássaros domésticos de criadores de todo o Brasil participaram da 2a etapa do 53° Campeonato Brasileiro de Ornitologia, realizado no período de 2 a 11 de julho, no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto-SP.

Marlene Mantel
Brasil Ornitologico • n° 56 • Ago - Set - Outi
Arquivo Editado em 22/07/2005


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Re: A história do canário desde sua descoberta

Mensagem por Reryson Colares em Dom Jan 06, 2013 1:13 pm

Muito bom!


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Re: A história do canário desde sua descoberta

Mensagem por Jessica Estephany em Qua Jan 09, 2013 2:40 pm

muito interessante Razz


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Re: A história do canário desde sua descoberta

Mensagem por Duda Nogueira em Qua Jan 09, 2013 2:40 pm

Adorei


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Re: A história do canário desde sua descoberta

Mensagem por Tarantinni em Ter Jul 15, 2014 12:41 am

Muito bom..


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Re: A história do canário desde sua descoberta

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