IDENTIFICAÇÃO DOS SINAIS CLÍNICOS DOS PARASITOS NAS AVES DE GAIOLA

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IDENTIFICAÇÃO DOS SINAIS CLÍNICOS DOS PARASITOS NAS AVES DE GAIOLA

Mensagem por Davi Hemerly em Seg Set 24, 2012 10:03 am

IDENTIFICAÇÃO DOS SINAIS CLÍNICOS
DOS PARASITOS NAS AVES DE GAIOLA

A incidência de doenças clínicas graves é relativamente baixa nas aves de gaiola. Como em outras espécies, as formas clínicas quando aparecem podem ser graves. É muito proveitoso para os veterinários observar aves como pacientes, no sentido de tomarem mais cuidados nas espécies de animais domésticos de estimação. A avaliação dos parasites fecais em exames variam necessariamente com a espécie do doente. Por exemplo, é muito raro encontrar parasites intestinais no Papagaio do Amazonas, porém é muito freqüente nas espécies de tucanos.
O parasitismo nas aves domésticas ocorre como uma infestação natural adquirida na vida selvagem ou pode ser contraída e ampliada nas coleções dos criadouros.

ECTOPARASITOS

Os parasites das penas geralmente são raros em aves de gaiola. Os clientes devem ser orientados para não usar qualquer tipo de inseticidas como preventivo. Esses produtos são desnecessários, são um desperdício e, potencialmente, são perigosos.
Todavia os parasites das penas são referidos com insistência na literatura. O piolho vermelho é comum em algumas aves domésticas e silvestres. Em 9 anos de prática aviculturista eu apenas vi dois casos de piolho vermelho em aves de gaiola.
Um caso foi de um canário procedente da Holanda, onde o piolho é um grave problema de saúde. O outro caso foi uma Cacatua que vivia sem a proteção de qualquer repelente de piolho. Quando esses piolhos são encontrados, torna-se mister o uso de carbaryl ou piretrinas, como base o malathion.

O piolho do canhão das penas é referido esporadicamente em Cacatuas; normalmente são vistos a olho nu ou em biópsia. Todavia este parasito não causa qualquer alteração clínica e pode ser tratado com a ivermectina (Ivomec(r)).
Os piolhos das penas raramente são vistos em Cacatuas em criadouros. Esses "furgões" («boxcar»), do tamanho de piolhos, são encontrados nas primeiras penas das asas e da cauda, e não causam sinais clínicos. São facilmente tratados com carbaryl em pó.
O Knemidopcoptes é comumente visto em periquitos (escamas na face e nas pernas). Este piolho microscópico causa uma descamação que se assemelha a favo de mel.
O Knemidopcoptes é raro em outros psitacídeos. Outra forma é vista em canários é a chamada de bolotas dos pés. A proliferação do tecido queratinoso dos pés é comum. O tratamento é difícil e pode exigir repetidas doses de ivermectina.

ECTOPARASITOS POR ESPÉCIES DE AVES

Periquitos: Vermes cilíndricos são raramente vistos em periquitos procedentes de aviário contaminado. A giárdia é pouco comum, com uma incidência em torno de 35%. A coccídia e hematozoários são raros.
Calopsitas: A giárdia é muito comum, com incidência superior a 50%. Vermes cilíndricos raramente são encontrados. A coccídia é de difícil diagnóstico e, também, de difícil tratamento. Existem referências sobre o isolamento em aviários devido o Cryptosporidia.
Papagaios: Parasites intestinais são extremamente raros nos papagaios. As tênias são encontradas raramente.
Araras: Tênias são raramente encontradas. O diagnóstico destas pode ser feito pela presença de segmento das fitas. Nas aves susceptíveis é comum a eosinofilia estar sempre presente. Capiliaria e ascaridia (vermes cilíndricos) são vistos raramente. Na Arara-da-costa-cinzenta o haemoproteus é raramente encontrado, parasitando os glóbulos vermelhos.
Cacatuas: Vermes hepáticos («liver flukes») são vistos em Cacatuas do peito rosa e ocasionalmente na espécie branca. Vermes em fita são muito comuns. Áscaris são raros. Plasmódios e Haemopteus são vistos comumente em glóbulos vermelhos. A microfilária é menos freqüente.
Agapornis: A microsporídia foi referida como uma causa pouco freqüente de CNS, sinais e mortalidade. O diagnóstico normalmente é feito através da histopatologia. A giárdia é vista numa incidência de 25%. Vermes cilíndricos são raros.
Papagaio Cinza do Gabão e Poicéfalos:(Senegal, Jardim e Cabo). As tênias são muito comuns, evidenciadas pela eosinofilia ou pêlos próprios segmentos (anéis em fita) nas fezes. A floculação nas fezes é um processo muito falho.
Tucanos: Áscaris, coccídia e giárdia são freqüentemente vistos.

"Conures": Vermes cilíndricos ocorrem raramente. Raramente são vistas coccídias. Hemoproteus é encontrado no Half-Moon Conure».
Canários: O Plasmodium malária é um problema sério no Vale Central da Califórnia, com maior incidência na primavera e outono. Supõe-se que mosquitos possam conduzir esses parasites dos pardais nativos. A mortalidade pode ser rápida e fatal. O microorganismo quando visto no sangue circulante, geralmente tem forma de anel de sineta. Normalmente é visualizado através dos corantes de Giemsa ou Wright em esfregaços de baço ou fígado.
O Atoxoplasma é um problema comum em todo o mundo. O microorganismo é ocasionalmente visualizado no sangue circulante, nos leucócitos, numa amostra fecal direta, e mais freqüentemente no fígado, baço e pulmão.

A sulfacloropirizidina é o tratamento de escolha para o atoxoplasma. A cura clínica parece ser impossível.
Em canários é comum a presença de ácaros nos sacos aéreos. O achado de ovos nas fezes, como refere a literatura, é extremamente raro. A visualização por transiluminaçâo da traquéia pode, algumas vezes, identificar os ácaros. A terapia dos ácaros nos sacos aéreos é com ivermectina.

«Pinches»: Malária e atoxoplasma são vistos em Pinches. Em adição, é também visto o verme «spirurid» da moela. Uma espécie de tênia causando mortalidade aviária foi referido.
Brotogerids - Grey-Cheek Parakeets e Bee-Bee Parrots:
Giárdia foi ocasionalmente visto. Vermes são raros.

EXAME DE FEZES

O exame de fezes é essencial para prevenir os parasites ocultos e que comprometem a ave.
O método preferido é o exame direto de fezes frescas, em solução salina, em esfregaço. Um exame negativo não significa, todavia, que a ave está "isenta". Um exame mais acurado pode ser obtido pelo método tricroma, realizado pelo Laboratório Aviário da Califórnia.

Fezes frescas são coletadas em álcool polivinil para conservar qualquer forma parasita. A amostra é então colocada em uma lâmina, incubada 24 horas a 37 graus Celsios, e então submetida à ação do corante tricroma. Este procedimento identifica as diferentes formas de parasites no material contaminado.
As infestações por giárdia são comuns em Periquitos ondulados, Calopsitas e Agapornis.

Revista SOBC

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Re: IDENTIFICAÇÃO DOS SINAIS CLÍNICOS DOS PARASITOS NAS AVES DE GAIOLA

Mensagem por NDP BOT em Qui Nov 22, 2012 7:59 am

Olá.

Muito bom esse artigo.

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