HÍBRIDOS E OS F0, F1 E F2

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HÍBRIDOS E OS F0, F1 E F2

Mensagem por Davi Hemerly em Qua Dez 05, 2012 10:46 am

HÍBRIDOS E OS F0, F1 E F2

DEFINIÇÕES

A hibridação consiste no cruzamento de aves diferentes. Os híbridos são o resultado desse cruzamento. Pode-se distinguir:

HÍBRIDOS INTER-ESPECÍFICOS: Seus pais pertencem a espécies diferentes. Por exemplo, pintassilgo x canário. Na natureza esses pássaros não se cruzam entre si, porém em cativeiro esse acasalamento é possível.
Estes híbridos são freqüentemente chamados de mulas, por analogia do acasalamento jumento e égua.

HÍBRIDOS INTRA-ESPECÍFICOS: Seus pais pertencem à mesma espécie. Por exemplo, canário border x canário de cor. Os canários border e os de cor pertencem a duas raças diferentes. Os híbridos são chamados de mestiços. Enquanto as mulas são freqüentemente estéreis, os mestiços são geralmente férteis.

HÍBRIDOS MENDELIANOS: Seus pais pertencem a uma mesma espécie, porém eles também são de raça pura. Uma ave é de raça pura quando vem de uma linhagem onde todos são semelhantes. Mendel descobriu as leis de hereditariedade através de cruzamentos de pais de raça pura, depois seus descendentes.
Em genética os indivíduos de primeira geração formam os F1 que, cruzando-se entre si, resultam em uma segunda geração os F2. Acasalando-se um híbrido F1 com seu pai ou sua mãe obtém-se um R1; na utilização de um indivíduo F2, obtém-se um R2.

PARTICULARIDADES DOS HÍBRIDOS
SEMELHANÇA DOS HÍBRIDOS: Os híbridos inter-especifícios por terem a mesma origem são geralmente parecidos. Dessa forma, quando se cruza um pintassilgo (Carduelis carduelis) com um canário verde (muito próximo do canário silvestre), os pássaros obtidos são muito parecidos de aspecto, são de cor escura, com forma intermediária entre aquela do pintassilgo e a do canário, o bico é ponteagudo, como aquele do pintassilgo e apresentam máscara vermelha alaranjada, comparável aquela do pintassilgo, porém menos colorida e clara. Isto ocorre porque as espécies silvestres devem seu aspecto (ou fenótipo) aos genes dominantes, que são os mesmos para todos os pintassilgos. Todos os canários silvestres têm também em comum seus genes dominantes. Freqüentemente as aves silvestres são puras para seus caracteres principais; em outras palavras, os dois genes correspondentes ao mesmo caracter são idênticos.

Conseqüentemente os híbridos pintassilgo português x canário verde são comparáveis aos híbridos mendelianos e são parecidos. Porém ocorrem exceções. Por exemplo híbridos F1 de pintassilgo português x canário podem não ter a máscara vermelha alaranjada, Machos híbridos pintassilgo (Carduelis cannabina) canário verde podem não ter o peito cor de rosa.

Estas exceções são devidas aos pais não serem puros. A ausência da máscara num híbrido F1 de pintassilgo português x canário verde pode ser explicada da seguinte maneira: a máscara do pintassilgo português é devida provavelmente a um gene dominante que inibe o depósito de melanina, o que explica a cor branca e torna possível o depósito de carotenóide vermelho. Se o fator inibidor está presente em dobro (duplo exemplar), todos os híbridos e todos apresentarão máscara. Porém se o fator inibidor existe somente em um único exemplar, terá apenas a metade de híbridos F1 que a receberão, ficando os outros híbridos sem máscara.

Esta hipótese parece correta. Realmente constata-se que os híbridos F1 sem máscara são sempre fêmeas. Isto se explica admitindo-se que o fator inibidor dominante está ligado ao sexo. Conseqüentemente um macho pintassilgo português heterozigoto poderá dar fêmeas F1 normais e fêmeas F1 sem máscara. Pelo contrário, com uma fêmea pintassilgo português obter-se-á sempre híbridos F1 com máscara. Com o Diamente de Gould tem-se um caso parecido: a máscara vermelha é devida a um fator dominante inibidor da melanina, o que permite o depósito do carotenóide vermelho; um dominante macho com máscara vermelha, porém heterozigoto, dá fêmeas que tanta podem ser com máscara vermelha como sem máscara (portanto, com máscara negra). Com uma fêmea de diamante com máscara vermelha tem-se os 100% de diamantes F1 com máscara vermelha.

Os híbridos F1 de pintassilgo português x canário, que têm peito verde-musgo, podem tembém serem explicados admitindo-se que no pintassilgo existe um fator inibidor-dominante que limitaria o depósito de melanina no peito. Se o pintassilgo macho é heterezigoto para este fator, alguns híbridos F1 não receberão o fator inibidor; seu peito então será verde como no canário verde.

Cada vez que um criador obtém um híbrido excepcional, seus pais devem ser conservados. Esses pais permitirão continuar a hibridação ou, ainda, servirão para obter-se raças que darão rapidamente novas mutações.

HEREDITARIEDADE LIGADA AO SEXO: Os caracteres ligados ao sexo presentes no pai podem apresentar-se nas fêmeas híbridas F1. Desta forma, cruzando-se canário acetinado macho x f?emea pintassilgo português, obtêm-se fêmeas normais e fêmeas F1 acetinadas (em outras palavras, sem melanina negra e com olhos vermelhos).
Com um canário isabelino pastel macho, pode-se obter fêmeas F1 isabelino pastel. Os caracteres marfim, canela, ágata, isabelino, acetinado e pastel são ligados ao sexo no canário: podem passar juntos ou separadamente para fêmeas híbridas.

ESTERILIDADES DOS HÍBRIDOS: Um híbrido F1 recebe a metade de seus cromossomos de seu pai e outra metade de sua mãe. Para que ele seja fértil é indispensável que seus cromossomos possam formar pares. Senão a formação das células reprodutivas não ocorreriam. Conseqüentemente tem-se fêmea F1 que não põe ou macho F1 que não consegue fecundar (daí os ovos claros).
Se os cromossomos recebidos pelo híbrido F1 são pouco diferentes, o híbrido pode ser fértil.
Quando se acasala duas aves de espécies diferentes, a fertilidade fica proporcional a quanto mais vizinhas forem essas espécies:

-Mesma espécie: 100% de fertilidade dos híbridos;
-Espécies vizinhas: alguns híbridos são férteis;
-Espécies muito vizinhas: machos férteis; fêmeas estéreis;
-Espécies bastante vizinhas: machos férteis, todas fêmeas estéreis;
-Espécies pouco vizinhas: alguns machos férteis, todas fêmeas estéreis.
-Espécies bem diferentes: todos os híbridos são estéreis.

As espécies muito vizinhas seriam as pertencentes ao mesmo gênero (exemplo: Serino Serinus serinus e canário) e as espécies muito diferentes pertenceriam a famílias diferentes )exemplo: Pontífice índigo Passerina cyanea x canário).
Com relação ao canário, alguns híbridos férteis foram conseguidos pelo acasalamento com pássaros do gênero Serinus e Carduelis (spinus, chloris). A fertilidade dos híbridos é muito importante para conhecer-se o grau de parentesco entre duas espécies. Quanto mais aparecem híbridos férteis, mais os cromossomos são semelhantes e mais o parentesco é importante.

TAMANHO E COR DO HÍBRIDOS: O tamanho dos híbridos é geralmente intermediário entre os tamanhos dos pais. Isto é decorrência de que o tamanho é comandado por numerosos genes cujas ações se completam (co-dominância). Portanto, é possível que uns híbridos sejam maiores que seus pais, isto ocorre geralmente nos híbridos inter-raciais (híbridos intra-específicos) e este fenômeno é denominado heterosis. Pode ser explicado admitindo-se que teve aquisição de novos genes para os híbridos. Esta aquisição decorre freqüentemente como conseqüência de uma inversão cromossômica, isto é, da presença de um fragmento de cromossomo onde os genes são alinhados em posição inversa da normal. No híbrido, por aí ter acúmulo da porção normal acarretar um aumento de tamanho.
A cor dos híbridos F1 é geralmente menos viva e menos delimitada que a dos pais. A máscara do híbrido F1 de pintassilgo português x canário é menos vermelha e menos clara que no pintassilgo; o híbrido F1 de pintassilgo da Venezuela (Carduelis cucullata) x canário tem menos vermelho que o pintassilgo. Isto ocorre porque a cor vermelha e sua localização dependem de vários genes que são passados todos para os híbridos. A presença de uma cor depende freqüentemente de uma série de reações químicas, e a sua situação na plumagem depende de fatores de localização.

LEIS DE MENDEL E HIBRIDAÇÃO: Aves de espécies diferentes podem ter os mesmos genes (fator pastel, fator marfim, fator ino – por exemplo), porém estes genes podem ocupar posições diferentes sobre os cromossomos. Conseqüentemente duas aves de plumagem pastel (melaninas diluídas) terão ainda o fator pastel, porém os genes correspondentes não serão alelos. Ora, as leis de Mendel dizem respeito a genes alelos.
Acontece que as proporções dadas pelas leis de Mendel (por exemplo ¼, ½, ¼ em F2) não se observam no caso de híbridos F1; os tipos novos são muito menos freqüentes que os previstos. Isto permite compreender porque na hibridação pintassilgo português x canário aparecem muito poucas fêmeas sem máscaras em vez de 50% e também porque os machos férteis quase não ocorrem, quando deveriam ser em torno de 50%. Uma ave macho possui dois cromossomos X, um provindo do seu pai e outro de sua mãe. No caso dos machos F1 pintassilgo x canário, os dois cromossomos X não são muito diferentes e isto explica porque estes machos podem ser férteis. Porém um outro fenômeno intervém; no macho um dos X fica em repouso e forma um corpúsculo, o corpúsculo de Barr. Um macho F1, cujo X ativo provém do canário, seria fértil com uma fêmea canário. Embora que estatisticamente 50% de machos F1 devem seu X ativo ao canário, entre eles muitos poucos são férteis. Um macho F1 estéril pode tornar-se fértil ao fim de alguns anos e o inverso é possível; pode-se pensar que o X ativo não é sempre o mesmo.

CONSEQÜÊNCIAS: O estudo de híbridos apresenta um grande interesse científico. Ele permite saber se duas espécies são aparentadas ou não. Ele permite também saber como são colocados no lugar alguns caracteres como o topete ou a cor vermelha.
Os híbridos férteis permitem obter raças novas. Isto é muito fácil no caso de caracteres ligados ao sexo; assim a mutação lutino (ausência de melaninas) do diamante de Kittlitz (Erythrura trlchroa) pode ser transmitido ao diamante da Nouméia (Eruthtuta pslttacea). Assim pode-se passar as mutações isabelino e acetinado do canário para o serino. No caso de mutalções não ligadas ao sexo são necessárias duas gerações, a segunda proveniente de um (R1). Umas mudanças de genes foram realizadas de psitacídeos dos gêneros Euphema, Psittacula ou entre agapornis.
A hibridação favorece as mutações <>. Quando os cromossomos são diferentes, eles têm tendências a se fragmentar. Conseqüentemente os híbridos podem ter, mais ou memos, fragmentos de cromossomos. Isto pode ser a origem de novos caracteres. O canário de fator vermelho provem da hibridação do pintassilgo da Venezuela x canário, e provavelmente o canário mosaico tenha mascido de uma hibridação entre um silvestre (pintassilgo português? Verdilhão Carduelis chloris?) x canário branco dominante, ou ainda pintassilgo da Venezuela x canário branco dominante.
Mesmo estéreis, os híbridos são muito interessantes pela sua beleza. Algumas hibridações são muito raras porque são difíceis de se obter são o caso da hibridação agapornis x periquito ondulado. Três casos foram mencionados, um em 1890, com Agapornis cana, o segundo em 1910, com Agapornis personata nigrigenis e o terceiro em 1985, com Agapornis roseicollis. A hibridação é uma arte difícil. Não é fácil provocar a atração sexual entre duas aves que não se acasalam na natureza. É indispensável que a hibridação seja encorajada e recompensada nos concursos.

Fonte:http://www.criadourokakapo.com/index.ph ...

OS FS: F0 - Passaros adiquiridos de criadouro comercial. - Entram como Matriz na Relaçao.
F 1 - Passaros filhos dos F0 - Nao podem ser comercializados.
F 2 - Filhos dos f 1 , estes podem ser comercializados.


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Re: HÍBRIDOS E OS F0, F1 E F2

Mensagem por doouglas_silva em Qua Dez 05, 2012 10:48 am

muito bom o topico bem explicativo, estou lendo e vejo que o assunto é interessante. vlw

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